Holland se juntou como assistente de Michael Carrick em janeiro, quando Carrick foi nomeado após a demissão de Rúben Amorim, com o que se entendia ser um compromisso de seis meses. Os resultados que se seguiram -- qualificação para a Liga dos Campeões com três jogos de antecedência, um terceiro lugar na Premier League -- mudaram a situação. O United queria que ele ficasse e ele concordou em estender.
Aqueles que trabalharam de perto com Holland descrevem alguém cuja influência é difícil de quantificar do lado de fora, mas impossível de ignorar de dentro.
Allan Russell, que passou quatro anos ao lado de Holland como treinador de ataque e de bolas paradas da Inglaterra sob Gareth Southgate, não hesitou ao ser questionado sobre seu impacto.
"Ele é um gênio," Russell disse ao Manchester Evening News. "A maneira como trabalho e treino agora, 75 por cento disso é por causa de Steve Holland. A forma como ele trabalha para preparar sessões, para conduzir sessões, para debriefing de sessões. A maneira como ele se comunica com a equipe e se comunica com os jogadores. Michael Carrick é tão sortudo, e ele escolheu tão sabiamente com Steve."
No campo de treinamento, a distinção de Holland é o que ele consegue identificar e articular instantaneamente.
"Eu costumava subir com os analistas no primeiro tempo, para que eu pudesse descer no intervalo com três pontos-chave em posse e três pontos-chave fora de posse para apresentar," Russell lembrou da Copa do Mundo de 2018. "Eu costumava dizer, honestamente, não há sentido em fazermos isso porque Steve teria percebido de qualquer maneira."
O ponto que Russell continuava a ressaltar não era apenas a brilhante tática, mas a comunicação -- a capacidade de reduzir uma mensagem à sua verdade essencial e entregá-la exatamente no momento certo.
"Sua capacidade de comunicar o que precisa ser comunicado sem adicionar bobagens extras em torno disso é sua força. Ele sempre faz isso de uma maneira tão respeitosa. Ele está no jogo há tanto tempo que não precisa ouvir todo o barulho que as pessoas falam. Ele consegue cortar a fumaça em qualquer sala e te dar a mensagem mais poderosa."
Harry Maguire elogiou Holland por ensinar os "fundamentos" ao elenco em Carrington. Mason Mount o chamou de "uma pessoa especial" com uma mente futebolística que exige respeito instantâneo. Holland foi descrito por colegas dentro da equipe como "um pouco mais reservado" do que os treinadores do time principal Jonathan Woodgate e Jonny Evans, mas uma figura de autoridade exatamente nos momentos que exigem uma.
Seu histórico de carreira explica a aura. Ele passou vários anos no Chelsea trabalhando sob José Mourinho, Rafael Benítez, Roberto Di Matteo e Antonio Conte antes de se juntar à Inglaterra em 2016. Quando deixou Stamford Bridge, um Conte decepcionado disse: "É uma pena perdê-lo. Ele estava me ajudando muito."
Perguntado quem foi a maior influência em sua carreira de treinador, a resposta de Holland não exigiu deliberação.
"Para responder sua pergunta imediatamente, é (José) Mourinho."
Esse instinto pragmático ocasionalmente colocou Holland em leve tensão com colegas mais voltados para o ataque. Russell lembrou de comprometer sete jogadores na área penal em bolas paradas quando Holland, por preferência, mantinha outro homem atrás da bola. A imagem de Mourinho dirigindo essa contenção nunca estava longe.
"Mourinho é o mentor de Steve, e eu nunca vi José comprometer sete jogadores na área."
Holland é um torcedor do Manchester United desde a infância -- nasceu em Stockport e admitiu ter apoiado o clube toda a sua vida. Ele passou uma temporada gerenciando o Yokohama F. Marinos no Japão antes de retornar ao futebol europeu quando o United o chamou.
O resumo de Russell foi o mais simples: "Ele traz estabilidade. Ele proporcionará lealdade, uma aura poderosa. Quando Steve entra na sala, a sala escuta. Eu apenas acho que ele traz uma estabilidade poderosa."
Essa qualidade, em um clube que passou a maior parte de uma década buscando exatamente isso, pode ser o que mais importa.
