Mills sabe exatamente o que é necessário para atuar no maior palco do futebol. O ex-lateral do Leeds United e do Manchester City fez parte da seleção da Inglaterra de Sven-Göran Eriksson na Copa do Mundo de 2002, começando todos os jogos enquanto a Inglaterra chegava às quartas de final antes de ser eliminada pelos eventuais campeões, o Brasil.
Agora trabalhando como um dos comentaristas mais respeitados do futebol inglês, Mills admite que ficou perplexo com várias decisões de elenco de Tuchel antes do torneio.
"Fiquei um pouco surpreso com algumas das omissões," disse Mills. Football Presse em nome de Betway..
O ex-internacional inglês entende que o futebol de torneio não se trata apenas de selecionar os 26 jogadores mais talentosos disponíveis.
"Você precisa de jogadores que estejam felizes em ser a segunda opção, que se sintam confortáveis com isso, que apoiem aqueles que estão começando, mantenham os padrões muito altos nos treinos, não sejam disruptivos e estejam felizes em ser a oposição nas sessões de treino," explicou.
"É um equilíbrio muito difícil e requer um certo tipo de caráter, que é o motivo pelo qual jogadores como Jordan Henderson estão envolvidos nisso, porque eles definem o tom, eles estabelecem os padrões no campo de treinamento."
Mills acredita que muitas vezes se coloca ênfase demais em montar uma coleção de nomes de estrelas em vez de criar um elenco coeso.
"Sempre dissemos no passado: 'Só precisamos escolher nossos melhores jogadores.' Vimos repetidamente que escolher os melhores jogadores não faz de você um grande time. Isso é um fato."
Apontando exemplos do futebol de clubes, Mills acrescentou: "Vá ao PSG com Neymar, (Kylian) Mbappé e (Lionel) Messi. Isso não fez o maior time porque você precisa ter essa química."
Duas omissões perplexas
Apesar de entender parte do pensamento de Tuchel, Mills continua perplexo com certas omissões, particularmente as do defensor do Manchester United, Harry Maguire, e do meio-campista do Chelsea, Cole Palmer.
"Deixar Harry Maguire de fora, eu não entendo nem um pouco," disse ele. "Acho que ele é experiente. Acho que ele teve uma temporada muito boa. Ele é confiável. Ele seria disruptivo se não estivesse no time? Absolutamente não."
Mills também questionou a profundidade defensiva da Inglaterra.
"Acho que defensivamente também estamos um pouco frágeis, especialmente na área de laterais, o que seria uma preocupação."
A exclusão de Palmer foi outra decisão que ele teve dificuldade em entender.
"As pessoas dizem: 'Bem, Cole Palmer não está 100% em forma.' Bem, Wayne Rooney também não estava, Michael Owen também não estava, David Beckham também não estava, e todos eles foram a torneios.
"Você os levou porque eles podem produzir momentos de magia. Cole Palmer, para mim, está nesse pedigree.
"Se você precisar de alguém para criar algo nos últimos 20 minutos de um jogo, ele pode fazer um passe, ele pode marcar um gol."
A fase de grupos deve ser tranquila
A atenção também se concentrará em Jude Bellingham e se Tuchel começará o astro do Real Madrid contra a Croácia. Mills acredita que ainda há perguntas sem resposta.
"Jude Bellingham é claramente um talento incrível, mas Thomas Tuchel ainda parece um pouco incerto," disse ele. "Há claramente algo subjacente que não se encaixa bem nisso."
No entanto, Mills insiste que o destino da Inglaterra não será determinado pelo que acontece na fase de grupos.
"Os primeiros jogos são meio irrelevantes," disse ele. "São as fases de mata-mata que serão importantes para a Inglaterra."
Mesmo assim, a Croácia proporcionará um teste significativo logo no início. A experiente equipe balcânica tem repetidamente incomodado nações de elite em grandes torneios e continua sendo uma das equipes mais taticamente disciplinadas do futebol internacional.
Mills espera que a Inglaterra domine a posse contra equipes que jogam recuadas durante a competição e se preocupa que Tuchel possa não ter jogadores suficientes capazes de controlar as partidas quando a pressão aumenta.
"Às vezes não se trata apenas de marcar gols. Às vezes se trata de retenção de bola," explicou. "A melhor forma de defesa é manter a bola porque, se você a tem, eles não têm. E se eles não a têm, não podem marcar."
Enquanto a Inglaterra inicia sua busca pela glória na Copa do Mundo contra a Croácia esta noite, Mills acredita que Tuchel fez uma aposta calculada com seu elenco.
"Thomas Tuchel vai ser um herói ou vai cair em sua própria espada. Simples assim."
