John Aldridge estava lá. Pat Nevin, Gary Stevens e Shaun Teale também. Mais tarde veio Paul Cook, enquanto Liam O'Brien trouxe experiência internacional da República da Irlanda e uma carreira que já o havia levado de Shamrock Rovers a Manchester United e Newcastle United.
Era uma equipe capaz de jogar futebol que O'Brien ainda lembra com enorme carinho.
Também era uma equipe que chegou agonizantemente perto da Premier League -- e nunca conseguiu.
"Fomos muito infelizes," O'Brien lembrou-se de Football Presse. "Chegamos a três semifinais de play-off para entrar na Premier League. Não conseguimos perder em nenhuma delas, mas simplesmente não tivemos sorte."
O Tranmere chegou às semifinais de play-off em três temporadas consecutivas, embora O'Brien não estivesse lá na primeira campanha e estivesse envolvido nas duas finais. Suas memórias desses anos oferecem um relato em primeira mão de uma equipe que repetidamente esteve a um passo da elite.
E os jogadores ao seu redor tornaram o vestiário notável.
"Tivemos Pat Nevin, que jogou pela Escócia. Tivemos Gary Stevens, que jogou pela Inglaterra. Tivemos John Aldridge, obviamente, e eu mesmo.
"Tivemos outros grandes jogadores também. Ged Brannan era um bom jogador. John Morrissey jogou pela direita. Tivemos Kenny Irons e Paul Cook veio eventualmente. Shaun Teale veio do Villa.
"Então, você sabe, tivemos alguns jogadores realmente bons."
Havia também algo distinto sobre o Tranmere em si.
O clube desenvolveu uma reputação por produzir jovens jogadores, e O'Brien lembra de um ambiente em que profissionais estabelecidos e talentos emergentes eram reunidos.
"Era uma grande esteira. Eles tinham um bom sistema de base, então era uma boa esteira para trazer jogadores jovens ao longo dos anos.
"E era isso que o Tranmere era naquela época. É uma pena onde estão agora. Mas na época, nos anos 90, era muito bom. Era um bom clube para se ir. Eu gostei do meu tempo lá."
A frustração era que a equipe tinha qualidade suficiente para acreditar que pertencia à luta pela promoção.
O que faltava, acredita O'Brien, era a capacidade de finalizar os adversários quando a oportunidade se apresentava.
"Como eu disse a você, simplesmente não tínhamos isso. Jogamos muito bem nos jogos, simplesmente não conseguimos matar as equipes."
O exemplo mais doloroso veio contra o Leicester City.
O Tranmere teve a vantagem de jogar em casa no primeiro jogo em Prenton Park e, segundo O'Brien, dominou a partida. No entanto, quando o apito final soou, o placar ainda era 0-0.
"No primeiro jogo contra o Leicester, se você algum dia assistir, se tiver a chance de ver, nós os dominamos em Prenton e terminamos 0 a 0 no primeiro jogo."
Foi o tipo de partida que pode definir uma temporada.
O Tranmere criou as chances, jogou bem e se estabeleceu como a melhor equipe da noite. Mas não marcaram.
O retorno no antigo estádio Filbert Street do Leicester se tornou mais uma lição dolorosa nas finas margens dos play-offs.
"Fomos a Filbert Street, onde eles estavam jogando na época, e eles nos venceram por 2-1. Nós empatamos em 1-0. E eles marcaram um gol no tempo de acréscimo."
Para O'Brien, a memória nunca realmente desapareceu.
"E no primeiro jogo, aquele goleiro fez defesa após defesa. Nunca vou esquecer. Foi simplesmente inacreditável naquele dia.
"Nós simplesmente não conseguimos marcar."
Essa foi a história daquela equipe do Tranmere: boa o suficiente para competir, boa o suficiente para dominar partidas, boa o suficiente para fazer as pessoas acreditarem, mas nunca capaz de dar o passo final.
O'Brien lembra do futebol tanto quanto da decepção.
"Era uma ótima equipe para jogar. Eu realmente gostei porque era uma boa equipe de futebol."
Havia uma sensação ao redor do clube de que algo especial era possível. O Tranmere não estava apenas tentando sobreviver na segunda divisão. Eles tinham ambições de se juntar à elite.
Mas a economia do futebol eventualmente os alcançou.
O'Brien acredita que a incapacidade do clube de reter seus melhores jogadores foi uma das principais razões pelas quais a equipe não conseguiu sustentar seu desafio.
"Acho que foram problemas financeiros," ele diz.
"Qualquer bom jogador que surgisse pelo sistema, eles tinham que vendê-lo. Então, não acho que isso ajudou."
Isso torna a história dos anos de O'Brien no Tranmere mais do que uma recordação nostálgica de uma boa equipe dos anos 1990.
É uma história sobre quão perto um clube fora da Premier League poderia chegar de romper -- e quão difícil era manter esse impulso sem o poder financeiro para manter uma equipe de sucesso unida.
O'Brien já havia experimentado a transformação do Manchester United sob Sir Alex Ferguson e a extraordinária ascensão do Newcastle United sob Kevin Keegan. No Tranmere, ele encontrou algo diferente: um clube que poderia montar uma equipe boa o suficiente para sonhar, mas não necessariamente uma capaz de mantê-la.
E ainda assim, décadas depois, ele não parece amargo.
Ele lembra dos jogadores, do futebol e da sensação em Prenton Park.
"Tivemos jogadores realmente bons," ele diz.
"Era uma ótima equipe para jogar."
Para o Tranmere, a Premier League permaneceu apenas fora de alcance.
Para O'Brien, no entanto, aqueles anos permanecem parte de uma carreira que lhe deu algo muito mais difícil de medir: a memória de ter feito parte de uma equipe que, por um tempo, parecia genuinamente capaz de chegar lá.
