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Valdano alerta que Mourinho não pode resolver todos os problemas do Real Madrid e pede uma revolução no vestiário

·Por Paul Lindisfarne
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Valdano alerta que Mourinho não pode resolver todos os problemas do Real Madrid e pede uma revolução no vestiário

Benfica/X.com

Jorge Valdano alertou o Real Madrid de que José Mourinho sozinho não pode resolver os problemas do clube, pedindo uma revolução na liderança dentro do vestiário, bem como novas contratações em posições-chave.

Valdano falou no lançamento do livro do jornalista Alfredo Relaño, 366 futebolistas, no Ateneu de Madrid, fazendo seus comentários em um momento em que o retorno de Mourinho ao Bernabéu é uma quase formalidade, aguardando a conclusão das eleições presidenciais.

"Mourinho não será quem resolverá todos os problemas que o Real Madrid tem. Jogadores terão que ser contratados em posições-chave. É necessária até uma revolução de liderança dentro do vestiário, dado o que vimos."

O peso dessa avaliação deriva em parte da história de Valdano. Ele renunciou ao cargo de diretor geral do Real Madrid em maio de 2011 após atritos constantes com Mourinho sobre a extensão da autoridade do treinador português. Pérez aceitou sua saída na época, enquadrando-a como uma reorganização estrutural. Valdano entendeu de forma diferente. Os dois homens nunca trabalharam no mesmo prédio novamente.

Quando perguntado o que diria a um torcedor do Madrid que está pensando em se afastar do clube se Mourinho retornar, Valdano ofereceu uma resposta inesperadamente pessoal.

"Resista. Eu vou continuar sendo um torcedor do Real Madrid apesar das nossas diferenças. Resista, resista. Há bons momentos, maus momentos e momentos trágicos na vida."

O comentário -- tolerante com Mourinho enquanto honesto sobre a tensão -- captura precisamente a complexidade que Valdano traz a este assunto.

Ele também ofereceu uma ampla avaliação da Copa do Mundo, nomeando Argentina, Espanha, França e Portugal como seus quatro favoritos, com a Espanha à frente da fila.

"Espanha, talvez, em primeiro lugar."

Ele qualificou essa avaliação com uma ressalva que ressoará, dado as preocupações com lesões em torno dos dois jogadores que definiram o triunfo da Espanha na Euro 2024.

"Lamine Yamal e Nico Williams são os jogadores que adicionam perigo ao jogo da Espanha, porque sem eles a Espanha pode morrer de mil passes, como aconteceu no Catar e na Rússia -- apenas falando com a bola e se encontrando em um monólogo. Com esses dois meninos na Euro, vimos o quanto eles mudam as possibilidades competitivas da equipe."

Sobre a Argentina, ele observou que eles não perderam a fome apesar de terem vencido duas Copas América e uma Copa do Mundo em anos consecutivos. Sobre a França, ele apontou para a capacidade deles de chegar a finais sem aparentemente se esforçar. Sobre Portugal, a qualidade no meio-campo central.

Ele também expressou reservas sobre o formato de 48 equipes, prevendo que produzirá mais resultados inesperados do que qualquer torneio anterior e forçará uma cautela tática em equipes mais fracas sob o extremo calor norte-americano.