O zagueiro brasileiro estava falando com Globo Esporte antes do segundo jogo da semifinal do Nottingham Forest contra o Aston Villa no Villa Park na quinta-feira. O Forest tem uma vantagem de 1-0 após o pênalti de Chris Wood no primeiro jogo no City Ground na semana passada, com os vencedores avançando para a final em Istambul no dia 20 de maio.
O Forest não alcança esta fase de uma competição europeia há mais de 40 anos. Seu último grande troféu foi em 1989/90, e Morato está ciente do que essa trajetória significa para uma base de apoio para a qual este território é amplamente inexplorado.
"Já parece um momento mágico," disse ele. "Mas se conseguirmos vencer, será lembrado para sempre."
Ele colocou a magnitude disso em termos humanos.
"Se você pensar bem, 70 ou 80 por cento dos torcedores nunca viram essa era. Talvez até 90 por cento. Os torcedores, sendo uma cidade pequena, estão sempre conosco, sempre nos jogos, sempre nos recebendo. Então, voltar e ainda ter a chance de chegar à final nos enche de esperança."
O próprio caminho de Morato até este ponto envolveu um considerável desenvolvimento pessoal. Ele deixou São Paulo ainda adolescente, logo após ajudar o clube a vencer a Copa do Brasil Sub-20 em 2019, mudando-se para a Europa antes de se estabelecer em sua terra natal. Um período em Portugal serviu como preparação antes de ele dar o salto para a Inglaterra.
Ele disse que se adaptar às exigências da Premier League exigiu ajustes.
"O jogo aqui é completamente diferente. Jogos a cada três dias, intensidade muito alta. Se você não estiver pronto, não importa quem você enfrente -- você pode perder."
Seu progresso fora de campo também tem sido igualmente gradual.
"Antes, eu não entendia inglês. Agora eu consigo entender e falar muito mais. Estou quase totalmente adaptado."
Morato falou calorosamente sobre a influência dos dois treinadores portugueses do Forest, Vítor Pereira e seu antecessor Nuno Espírito Santo, descrevendo ambos como taticamente detalhados e fortes comunicadores.
"Eles são ambos muito técnicos, realmente gostam de táticas e de um futebol bem jogado."
A presença de companheiros brasileiros também tem sido importante para seu processo de adaptação, mesmo que ele reconheça que isso pode desacelerar seu desenvolvimento em inglês.
"É muito difícil para os brasileiros chegarem em um país completamente diferente. O clima, a comida, a língua -- tudo muda. Com três ou quatro jogadores, além da equipe técnica portuguesa, nos sentimos mais confortáveis."
Ele permitiu-se um momento mais leve ao discutir o atacante Igor Jesus, que ele descreveu como propenso a não sequiturs e observações sobre o óbvio.
"Às vezes ele muda de assunto do nada. Ou diz algo óbvio como: 'Não saia na chuva ou você vai se molhar.' E insiste nisso. Então todo mundo olha e diz: 'Ok...' Depois ele muda de assunto. Mas é realmente bom. Parece que ele está sempre alto."
Além da Europa League, Morato tem ambições de representar o Brasil em nível sênior, e ele ligou os dois diretamente.
"Se chegarmos à final, é bom para a equipe, é bom para os jogadores, e todos ganham mais visibilidade. O maior sonho é representar a seleção nacional, seja a curto ou longo prazo. Eu vou trabalhar por isso."