Para o United, ou mais especificamente para a Ineos, a janela deste verão tem sido de recuo e rendição. Com a qualificação para a Liga dos Campeões e o impulso gerado pelo impacto de Michael Carrick e sua equipe, esperávamos mais - muito mais - do que o que os altos executivos do clube entregaram até agora.
O treinador, ele mesmo, disse isso na sexta-feira. Claro, ele foi ponderado. Diplomático. Mas Carrick, como todos nós, esperava mais após o que ele havia entregue à diretoria na temporada passada.
"Não pode ser só por ser, mas sim, claro, queremos melhorar, precisamos melhorar", admitiu o treinador. "É algo que estamos trabalhando, com certeza.
"Precisamos continuar pressionando por mais. Há uma ou duas áreas onde gostaríamos de melhorar e sentimos que há a possibilidade de melhorar, mas, novamente, isso precisa ser algo que possamos fazer que nos torne melhores e melhore o grupo, seja em qualidade ou seja um pouco de profundidade.
"Isso é bem óbvio."
Um descartado do Chelsea e uma opção de compra decente, embora propensa a lesões, do Aston Villa. Andrey Santos e Youri Tielemans: dois jogadores para substituir o velho leão, Casemiro. Um jogador que personificou tudo o que tem estado errado com este clube desde a chegada de Sir Jim Ratcliffe há mais de dois anos.
Agora, esta coluna é fã de Santos, temos acompanhado o jovem de 22 anos desde que ele capitaneou o Brasil na Copa do Mundo Sub-20 há seis anos. Mas ele será o primeiro a admitir, ele não é Casemiro. Assim como Tielemans. Novamente, um jogador talentoso, potencialmente um grande jogador. Mas com um histórico de lesões que segurou esse potencial. Dada a forma de Casemiro na segunda metade da temporada passada, como as coisas estão, um mais um não será suficiente para chegar a dois.
Como dizemos, Casemiro e a forma como ele respondeu - e apoiou - Carrick nos últimos meses de sua carreira no United encapsulou tudo o que tem estado errado com este clube nos últimos anos. Antes da nomeação de Carrick, Casemiro já havia decidido sobre o último ano de seu contrato. Oferecido um pagamento pela diretoria, ele aceitou. E quem poderia culpá-lo? Aqueles que estão no comando deixaram claro que acreditavam que ele estava supervalorizado. Que suas pernas haviam ido. Que ele era pouco mais do que um passageiro. Um peso morto. Claro que não disseram isso diretamente ao brasileiro, mas essa opinião chegou a confidenciais na imprensa. É assim que as coisas costumam funcionar.
Em contraste, Carrick viu um jogador de classe mundial. Um treinador de jogadores. Um motivador. O Geordie viu alguém que ainda tinha muito a oferecer. Ele não estava descartando Casemiro - de forma alguma. E essa demonstração de fé e apoio foi retribuída em dobro. A interação em campo entre os dois durante a recuperação da temporada passada falou volumes. Casemiro pulando sobre os ombros de seu treinador. Agarrando-o. Abraçando-o. Jogo após jogo. Vitória após vitória. Carrick encontrou uma maneira de libertar o veterano dessa jaula da Ineos. Assim como fez com Kobbie Mainoo.
Novamente, como com Casemiro, antes da chegada de Carrick, Mainoo foi feito para se sentir indesejado. Um fardo. Uma ficha a ser trocada - e pouco mais. Mas um braço ao redor do ombro de seu treinador e Mainoo ganhou vida. O local de Stockport terminou a temporada com um novo contrato, um lugar na seleção da Inglaterra para a Copa do Mundo e ajudou seu clube a retornar à Liga dos Campeões... e sem agradecimentos daqueles que estão acima.
Já dissemos isso antes aqui. Mainoo. Casemiro. A recuperação da dupla, junto com a equipe como um todo, foi uma boa conquista para Carrick e sua equipe. Mas a maior conquista foi o treinador resgatar a reputação - e potencialmente as carreiras - daqueles que o contrataram. Ratcliffe e a Ineos receberam felizmente os elogios - e evitaram a fiscalização - da imprensa desde o final da última temporada. Mas não se engane, foi Carrick e sua apreciação pela cultura e tradições do Manchester United que resgataram a última temporada. Ele reconstruiu a confiança. Ele resgatou carreiras. Ele conseguiu tudo isso apesar do comportamento daqueles dentro da sala da diretoria - e não por causa deles.
É por isso que, por mais decepcionante e frustrante que esta campanha de mercado tenha sido para o apoio do United, não pode ser uma surpresa. O United mal conseguiu um sussurro na batalha com o Manchester City por Elliot Anderson. As coisas estavam ainda piores em relação a Sandro Tonali, Mateus Fernandes e a competição com o Tottenham, que está em 17º lugar. Para esta coluna, dos três em jogo, Tonali foi o jogador pelo qual valia a pena se esforçar.
"Tonali pode jogar em qualquer lugar", disse recentemente Alberico Evani, vencedor da Copa Europeia duas vezes pelo AC Milan, ao Football Presse, "porque ele é um grande jogador, um jogador de calibre internacional, e ele é alguém que pode se adaptar a qualquer tipo de liga.
"Ele se sairia bem na Itália, se sairia bem na Espanha, ele está se saindo bem na Inglaterra, porque ele é um jogador moderno que sabe jogar ambas as fases do jogo e joga com uma grande personalidade."
Bryan Robson. Paul Ince. Roy Keane. Tonali era o jogador para unir tudo no meio-campo do United. Mas em vez de agir como o United de antigamente, o United que Carrick e sua equipe haviam revivido, a Ineos encolheu e murchou diante da ambição e do poder de gasto do Tottenham.
É por isso que Carrick agora se vê tendo que tomar uma decisão sobre Marcus Rashford. Sem alternativa oferecida pela Ineos, parece que o internacional inglês será reintegrado ao elenco por Carrick. Uma boa coisa? Uma má decisão? Isso é assunto para outra coluna. Mas o que é óbvio é que a Ineos não deu ao seu treinador outra opção. Vamos colocar desta forma, algum de nós consegue ver a Ineos se movendo por um ponta de lança goleador, com 27 anos de idade e com a experiência de Rashford nessas últimas semanas do mercado...? No passado, claro. Mas não agora. Não com esta equipe de gestão.
E esse é o problema. Este não é o Manchester United do passado. Carrick, ao voltar às tradições, aos métodos testados e confiáveis, deu aos torcedores alguma esperança. Mas a Ineos voltou a seu tipo. E dadas suas ações até agora, há pouco que sugira que as coisas vão mudar.
