Football Presse

OPINIÃO: De Man United a Chelsea e agora Villa - Garnacho está na última chance

·Por Chris Beattie, Editor
Partilhar
OPINIÃO: De Man United a Chelsea e agora Villa - Garnacho está na última chance

Aston Villa

Alejandro Garnacho agora enfrenta um momento crucial em sua carreira: ele quer ser um jogador de futebol ou uma celebridade do futebol?

Unai Emery e Aston Villa eventualmente nos darão essa resposta. Se o internacional argentino acredita que pode passar pela próxima temporada no Villa Park, ele terá uma surpresa desagradável. Basta perguntar a Jadon Sancho. Ou Harvey Elliott. Ou até mesmo Leon Bailey. Se você não se encaixa. Se você não atende às suas expectativas. Emery simplesmente te colocará para fora. E isso mesmo que penalize financeiramente o clube.

Com apenas 22 anos, se contarmos sua mudança original do Atlético de Madrid, este será o quarto grande clube da carreira de Garnacho. Zombado por seus antigos companheiros de Manchester United após a derrota para o Chelsea em abril. Desmontado - impiedosamente - por seu antigo treinador de academia, Nicky Butt. E agora descartado pelo Chelsea nos braços de Emery e Villa. Isso é realmente uma última chance para Garnacho. Claro, mesmo que ele fracasse nesta transferência, haverá clubes ansiosos para contratá-lo. Mas não no status que ele acredita merecer. E certamente não no status que seu potencial sugeria aos 18 anos.

Ainda existe um jogador ali? Para esta coluna, a resposta continua sendo afirmativa. Mas mudanças precisam ser feitas. Garnacho, pelo menos nos últimos dois anos, tem sido mais modelo de Instagram do que modelo profissional. O futebol quase parecia um incômodo para sua vida online. Tem sido um hábito que rotineiramente - previsivelmente - o arrastou para problemas. De United para Chelsea, até brigando com torcedores argentinos e um aparente ataque ao treinador Lionel Scaloni antes da Copa do Mundo, é como se ele não conseguisse evitar pressionar o botão de autodestruição. Como dizemos, as chances de redenção estão se esvaindo.

Mas há um jogador ali. O gol contra o Everton é o destaque que muitos gostam de nomear como o melhor de Garnacho. Mas esse foi um momento. Um instante de potencial. O zênite desta jovem carreira. O ponto de venda que certamente ajudou aqueles que defendiam o caso de Garnacho dentro de Bodymoor Heath veio mais cedo em sua carreira. Foi em março de 2024, ainda apenas dois anos atrás, quando Garnacho ajudou um Manchester United de Erik ten Hag a derrotar o Liverpool em uma clássica semifinal da FA Cup.

Foi Garnacho, já no final do primeiro tempo da prorrogação em Old Trafford, que correu toda a extensão do campo antes de passar a bola para Amad Diallo marcar o gol da vitória naquele dia. Tornando os esforços de Garnacho ainda mais impressionantes estava a revelação no pós-jogo de que ele havia perdido grande parte do treinamento da semana anterior devido a uma lesão na coxa. No entanto, ele ainda teve a capacidade não apenas de aguentar os 120 minutos, mas de surpreender seus adversários do Liverpool com aquele sprint de toda a extensão do campo na prorrogação. De fato, Garnacho até fez uma corrida de engano após passar para Amad para dar ao seu companheiro aquele segundo extra para escolher seu lugar.

Foi corajoso. Abnegado. E exigiu alguma habilidade para fazer tudo isso não apenas em uma velocidade alucinante - mas após participar de um jogo frenético de 4-3 por mais de 110 minutos. Foi uma demonstração de esforço que trouxe um abraço apreciativo de seu capitão, Bruno Fernandes, enquanto o gol da vitória era celebrado. Esse momento epitomizou o potencial de Garnacho. Do que ele era capaz e do que ele poderia potencialmente alcançar. Um instantâneo de tudo que era bom neste jogador.

Esta coluna não pode te dizer quantos ex-jogadores do United Garnacho deixou felizes naquele dia. As conversas no pós-jogo invariavelmente levariam àquela corrida, aquele passe, aquele gol - e sempre terminariam com uma explosão de risadas, dado que os adversários eram o Liverpool. Naquele momento, a admiração estava lá. Até mesmo a expectativa em torno do que Garnacho poderia se tornar. Ao conversar com esses ex-profissionais, esta coluna sentiu isso. Eles tinham um, realmente sentiam que tinham um.

Mas hoje...? Hoje a carreira de Garnacho é muito diferente. É toda incerteza. Fluxo. Aston Villa representa uma nova chance. Um novo começo. Ele irá lá acreditando ser o jogador mais talentoso do elenco do clube. E para ser justo, para esta coluna, ele estaria correto. Mas isso é apenas em potencial. No que poderia ser. Mas para cumprir essas expectativas, Garnacho precisa mudar. Os últimos dois anos não funcionaram.

De fato, ele poderia fazer pior do que olhar para seus dois novos companheiros de equipe, John McGinn e Ezri Konsa, e se perguntar 'por que eles prosperaram sob Emery?'. Seguir seu exemplo - não apenas dentro e ao redor do vestiário - mas também fora do clube. Claro, em termos de talento, Garnacho é muito superior, mas em termos de abordagem e aplicação, ele não conseguiria amarrar os cadarços de nenhum dos dois - pelo menos não neste estágio de sua carreira.

Mas Aston Villa, o treinador e o vestiário poderiam ser a redenção de Alejandro Garnacho. É apenas uma questão de saber se desta vez, com esta transferência, a ficha vai cair.