Football Presse

Massimo Donati exclusivo: Por que o AC Milan foi demais, cedo demais para mim

·Entrevista por Xhulio Zeneli
Partilhar
Massimo Donati exclusivo: Por que o AC Milan foi demais, cedo demais para mim

Athens Kallithea FC

Massimo Donati já havia chegado à Serie A com o Atalanta quando o Milan fez a proposta. Ele tinha apenas 20 anos e, de repente, se viu compartilhando um vestiário com alguns dos maiores nomes do futebol mundial.

Foi uma oportunidade com a qual muitos jovens jogadores sonham. Para Donati, no entanto, a experiência também expôs um lado do futebol de elite que ele ainda não estava preparado para lidar.

"Eu tinha 20 anos, e foi um pouco estranho para mim treinar com jogadores como Maldini, Shevchenko, Gattuso e tantos outros," diz Donati. Futebol Presse..

"Foi algo realmente enorme, e talvez do ponto de vista mental eu não estivesse pronto para lidar com uma situação como aquela, para lidar com 80.000 pessoas no San Siro."

Donati chegou ao AC Milan após se estabelecer na Atalanta, fazendo sua estreia na Serie A em 2000 e ganhando uma transferência para os Rossoneri na temporada 2001/02. Ele fez 28 aparições oficiais pelo Milan, incluindo 17 na Serie A.

Mas o problema do adolescente não era a falta de talento ou ambição. Era acreditar, talvez cedo demais, que ele já havia chegado lá.

"O começo foi muito bonito porque eu cheguei na Serie A direto quando era jovem, depois fui para o Milan direto," ele diz.

"Houve alguns anos difíceis lá porque eu pensei que havia tocado o céu. Em vez disso, eu não permaneci focado, não fiquei na bola, porque pensei que estava feito."

Essa realização se tornou uma das lições definidoras da carreira de Donati.

"Então eu caí um pouco, e depois houve a subida novamente."

Olhando para trás, ele não considera o Milan simplesmente como uma oportunidade que passou por ele. Tornou-se parte da educação que moldou o jogador que ele eventualmente se tornou e, mais tarde, o treinador que é hoje.

"O importante é aprender com tudo, com as coisas boas, mas especialmente com as coisas ruins," ele diz.

"Você tem que aprender a lidar com elas, como melhorá-las, como enfrentá-las na próxima vez que acontecerem."

A filosofia mais ampla de Donati foi forjada através de uma carreira que o levou por Atalanta, Milan, Parma, Torino, Sampdoria, Messina, Bari, Palermo, Hellas Verona e Celtic, entre outros.

A lição foi que nem o sucesso nem o fracasso poderiam consumi-lo.

"Durante uma carreira há momentos positivos e momentos negativos," ele diz. "O importante é deixá-los passar rapidamente, tanto os bons quanto os ruins. Especialmente os ruins, mas também os bons."

"Porque no final sempre há algo novo para fazer no dia seguinte."

Essa mentalidade veio com a experiência. O que poderia ter sido difícil para Donati entender como um jovem jogador gradualmente se tornou um dos princípios que ele levou para o treinamento.

"Se eu continuar pensando e pensando sobre as coisas boas ou as coisas ruins, eu fico para trás," ele diz.

"Aconteça o que acontecer, você tem que pensar em enfrentar o dia seguinte e tentar fazer melhor."

Portanto, o Milan não foi simplesmente o capítulo onde as coisas não saíram como planejado. Foi o capítulo que ensinou Donati que alcançar o nível mais alto era apenas o começo.

"Eu queria fazer as coisas melhor, ou tentar consertá-las, para fazer o melhor possível."

E ainda há um senso de orgulho quando ele se lembra da magnitude da oportunidade que lhe foi dada.

"Quando eu estava no Milan, era um dos maiores clubes do mundo," ele diz.

Para um jovem de 20 anos entrando no San Siro ao lado de Maldini, Shevchenko e Gattuso, essa realidade se mostrou esmagadora.

Mas a experiência também deixou Donati com algo que durou muito mais do que seu tempo no vermelho e preto: uma compreensão de que no futebol, chegar nunca é o mesmo que ter chegado.