Para Lulinha, o meio-campista brasileiro que surgiu como um dos adolescentes mais hyped da história do futebol sul-americano, o momento chegou quando ele tinha 15 anos e o Manchester United bateu à sua porta.
Ele os mandou embora.
Lulinha já havia se estabelecido como algo extraordinário na academia do Corinthians -- quase 300 gols, artilheiro do Campeonato Sul-Americano Sub-17 de 2007 com 12 gols em nove jogos, e uma cláusula de liberação que o clube estabeleceu em $50 milhões antes que ele tivesse feito uma única aparição pelo time principal. Chelsea, Real Madrid e Barcelona já haviam notado. O Manchester United se moveu primeiro com algo mais concreto.
Seus representantes viajaram para sua casa, sentaram-se com seus pais e apresentaram um plano detalhado. A estrutura que propuseram espelhava o arranjo usado para os gêmeos brasileiros Fábio e Rafael, que fizeram a mudança do Fluminense para Old Trafford enquanto ainda eram menores.
O problema era que o United não poderia formalizar o acordo diretamente com o Corinthians -- o acordo precisaria passar por São Paulo, um arranjo que o clube havia usado anteriormente ao buscar outro prospecto brasileiro.
Para Lulinha, um torcedor do Corinthians desde a infância que estava no clube desde os oito anos, isso foi o fim da conversa.
"Eu sou Corinthians," ele disse recentemente. "Estive lá desde os oito anos. Eu ia sair sem fazer uma única aparição profissional? Sem sentir os torcedores, os Gaviões?"
Ele escolheu ficar. O Corinthians foi rebaixado para a Série B em 2007, apesar de suas 20 aparições naquela temporada, e o peso da expectativa que se acumulou ao seu redor -- o garoto que valia $50 milhões e que iria salvar o clube -- teve um impacto visível em sua confiança. Ele fez 83 aparições pelo time principal do Corinthians ao longo de três anos. Ele marcou três gols.
Os anos que se seguiram foram uma longa busca por um lugar onde se sentisse em casa. Portugal, nordeste do Brasil, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Japão e, eventualmente, Indonésia, onde o Madura United lhe deu a estabilidade e o reconhecimento que sua carreira no Brasil nunca entregou.
Agora com 36 anos, com 110 aparições e 36 gols pelo Madura United e a braçadeira de capitão para combinar, Lulinha pode olhar para trás naquele momento com clareza.
"O trem passa uma vez," ele disse. "Se o trem passar e você não embarcar, pode passar novamente -- mas é difícil. Aquilo era o Manchester United, não um clube pequeno. Hoje eu aceitaria, sem questionar."
Ele seguiu seu coração. Ele sabe disso agora.