O treinador dinamarquês sabe, no entanto, que a teoria só funciona quando os resultados aparecem.
"Você pode fazer os dois, mas precisa de vitórias para isso", disse Friis. Football Presse.
Essa frase ganhou um significado adicional desde que a entrevista foi realizada.
Na época, Friis estava refletindo sobre suas experiências no FC Midtjylland e Brentford, seu tempo no Sparta Praga e sua busca por outra oportunidade como treinador principal.
Ele assumiu o comando do Cercle Brugge em março de 2026, herdando uma equipe envolvida em uma luta pela sobrevivência na primeira divisão belga.
Sua tarefa imediata não era passar meses desenvolvendo pacientemente um projeto.
Era vencer.
E ele venceu.
O Cercle entrou nos playoffs de rebaixamento e, sob Friis, venceu três de suas seis partidas para garantir seu lugar na primeira divisão belga. A sequência incluiu uma vitória por 3-0 sobre La Louvière e uma vitória por 4-1 fora de casa contra o Dender.
A experiência forneceu um teste prático de algo que Friis havia explicado em detalhes ao discutir seu tempo no Brentford.
"É difícil porque não depende apenas do treinador", disse ele.
"Precisa vir do clube. Precisa ser parte da cultura, do DNA, dos valores que você tem no clube."
Para Friis, o erro é ver o desenvolvimento juvenil como uma licença para sacrificar resultados.
"No futebol, soa como uma desculpa quando os treinadores falam sobre o longo prazo", disse ele.
"Soa como, 'Ah, eu só quero mais tempo, me dê mais algumas chances', e assim por diante."
Sua experiência no Brentford o convenceu de que os clubes mais fortes podem construir o desenvolvimento em sua busca por resultados.
"Eu acho que, em geral, os clubes que são bons em buscar soluções de longo prazo, tudo se resume a recrutamento, tudo se resume a desenvolvimento, tudo se resume a membros da equipe, tudo se resume a como conduzir o clube."
Brentford, ele argumentou, forneceu o exemplo mais claro.
"Você tem uma chance realmente, realmente boa. Eu também tenho 100% de certeza de que é por isso que você vê o Brentford ter sucesso hoje."
O princípio era simples.
O clube tinha que criar um ambiente onde jovens jogadores pudessem realmente jogar.
Friis apontou para a decisão do Brentford de operar com um elenco de primeira equipe relativamente pequeno, o que significava que o próximo jogador na fila poderia naturalmente vir do time B.
"Se você perder outro jogador, digamos um defensor, o próximo passo natural será pegar um jogador do time B", explicou ele.
"Então você não tem 34 jogadores, você tem talvez 20, 22, e então os próximos jogadores na fila eram na verdade os jogadores do time B."
Isso significava que o desenvolvimento não era uma promessa abstrata feita pelo clube.
O caminho estava lá.
E Friis acredita que essa distinção é extremamente importante.
"Era natural. Você cria circunstâncias para fazer esse tipo de coisa."
Sua filosofia foi formada muito antes do Brentford.
No Midtjylland, Friis estava entre os treinadores envolvidos na criação da academia do clube, que ele considera a base de sua carreira como treinador.
"Podíamos começar de novo", ele se lembrou.
"Não havia uma maneira antiga ou nós normalmente fazemos assim ou temos que fazer assim. Não, começamos com tudo."
O jovem clube dinamarquês estava preparado para desafiar o pensamento estabelecido.
"Foi um divisor de águas no futebol dinamarquês que o Midtjylland começou isso, e muitos clubes seguiram o caminho que eles fizeram depois."
Essa experiência moldou a crença de Friis de que os clubes precisam construir sistemas que tornem o desenvolvimento possível, em vez de simplesmente instruir os treinadores a desenvolver jogadores.
Mas há outra parte de sua filosofia que se tornou particularmente relevante quando ele passou a gerenciar a equipe principal.
O jogador precisa ser compreendido antes de poder ser desenvolvido.
"Trabalhando com os jovens, eu acho que uma das coisas mais importantes é chegar perto deles, entender como eles pensam, entender seu passado", disse Friis.
"E se você os entender, o ser humano, você tem uma chance realmente, realmente boa de desenvolver o jogador."
Ele teve o cuidado de distinguir isso de se tornar amigo de um jogador.
"Não estou falando sobre ser melhores amigos", disse ele.
"Mas estou falando sobre ser totalmente honesto também fora do futebol."
Friis deu o exemplo de um jogador que chega ao treino distraído por problemas fora do futebol.
Um treinador pode exigir um melhor primeiro toque, melhores passes ou maior concentração.
Mas e se o verdadeiro problema estiver em casa?
"Estou apenas falando sobre entender sua situação esta manhã quando ele não está rendendo", disse ele.
Isso, para Friis, é parte do treinamento.
A outra parte é medir se o jogador está realmente melhorando.
No Brentford, ele trabalhou com analistas para avaliar o desenvolvimento individual e criou um sistema de semáforo para o desempenho.
Verde representava uma boa ação.
Amarelo significava que poderia ter ido de qualquer maneira.
Vermelho significava que precisava de melhoria.
A ideia era transformar o desenvolvimento em algo que pudesse ser observado, medido e então replicado no treinamento.
Friis usou duelos aéreos como um exemplo.
"Você precisa olhar todos os duelos nos jogos e assim por diante e descobrir cada duelo aéreo, foi bom, foi assim-assim, ou foi ruim?"
O objetivo não era afogar o futebol em números.
Era identificar o que precisava melhorar e então criar mais oportunidades para o jogador ter sucesso.
Essa continua sendo a distinção chave na abordagem de Friis.
Os dados devem apoiar o treinador em vez de substituí-lo.
"Futebol é sentimentos", disse ele.
"Mas se você tomar muitas decisões baseadas em sentimentos, não são muitas vezes que você está certo."
A resposta, ele acredita, é combinar a evidência com o olhar.
"Você precisa dos dados, dos fatos no futebol também, junto com os olhos, e então você verá o que é o verdadeiro futebol."
Sua experiência subsequente no Cercle adicionou outra dimensão a essa filosofia.
Quando há uma batalha contra o rebaixamento, não há luxo de escolher desenvolvimento em vez de resultados.
Os resultados são o ambiente de desenvolvimento.
As vitórias criam o espaço para respirar.
E isso traz Friis de volta ao seu ponto original.
"Você pode fazer os dois, mas precisa de vitórias para isso."
Para um treinador que começou sua carreira ajudando a construir uma academia do zero, essa pode ser a lição mais importante de todas: jovens jogadores precisam de oportunidades, clubes precisam de paciência, mas nenhum existe independentemente do placar.
No Cercle, Friis agora teve que provar esse princípio sob pressão.
