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Exclusivo - De Brentford a Tottenham: Lars Friis sobre Thomas Frank

·Entrevista por Xhulio Zeneli
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Exclusivo - De Brentford a Tottenham: Lars Friis sobre Thomas Frank

Tottenham/X.com

Lars Friis conhece Thomas Frank melhor do que a maioria.

Os treinadores dinamarqueses trabalharam juntos no Brentford, onde Friis fez parte da equipe de treinamento de Frank durante a notável ascensão do clube à Premier League. Eles também completaram sua formação como treinadores juntos, desenvolvendo não apenas uma relação profissional, mas uma amizade que permanece forte.

Portanto, quando Friis discute o início difícil de Frank no Tottenham, ele o faz a partir da experiência.

"Ele não é apenas um bom treinador, ele também é um bom amigo meu," disse Friis Football Presse. "Nós trabalhamos juntos, e também fizemos nossa formação como treinadores juntos."

Frank foi nomeado treinador do Tottenham em junho de 2025, assumindo após Ange Postecoglou ter levado os Spurs à glória da Europa League, mas terminado em 17º na Premier League.

Os primeiros meses foram difíceis. Para Friis, no entanto, isso não significava que Frank era o homem errado para o trabalho.

"Se ele tiver o apoio certo e o tempo certo, claro que ele pode fazer isso," disse ele. "Ele tem todas as ferramentas em sua mochila para fazer coisas assim."

Friis havia visto o mesmo processo acontecer no Brentford.

Frank não transformou o clube da noite para o dia.

"O mesmo aconteceu no Brentford, foram um mês e meio, dois meses muito difíceis," lembrou Friis. "E então as coisas começaram a fluir."

Frank eventualmente levou o Brentford à Premier League e os estabeleceu como um dos clubes mais bem administrados do futebol inglês.

Friis estava lá para ver o processo de dentro da equipe de treinamento. O que mais o impressionou foi a capacidade de Frank de lidar com as pessoas.

"Thomas é realmente, realmente bom em gestão de pessoas," disse Friis.

"A maneira como ele olha para as pessoas -- ele é um cara muito positivo que vê oportunidades em vez de todos os erros, falhas e assim por diante."

Essa positividade, no entanto, não deve ser confundida com fraqueza.

"Não me entenda mal, ele também pode ser muito, muito duro, e ele tem que ser como treinador principal," acrescentou Friis.

O que realmente se destacou para Friis foi a abordagem de Frank ao trabalho cotidiano de treinamento.

"Ele vinha todos os dias e tentava fazer as coisas um pouco melhores do que estavam ontem," disse ele.

Isso significava que o centro de treinamento era extremamente importante.

"Ele está realmente, realmente feliz com o treinamento," explicou Friis. "Ele não é um gerente típico que vive para os sábados. Thomas vive para cada dia, trabalhando no campo de treinamento, trabalhando em pequenas coisas, criando exercícios e fazendo coisas assim."

Foi uma lição que Friis levou consigo.

E foi por isso que ele acreditava que o Tottenham tinha que resistir à tentação de julgar Frank antes que ele pudesse deixar sua marca no clube.

"Ele precisa ter seu próprio toque na equipe, seu próprio toque nos jogadores, seu próprio toque no ambiente diário e assim por diante.

"Você não pode fazer isso em algumas semanas. Você precisa de tempo para fazer isso."

Esse é o argumento central que Friis faz sobre o treinamento.

Resultados importam. Mas o ambiente em que esses resultados são esperados também importa.

"No futebol, soa como uma desculpa quando os treinadores falam sobre longo prazo," disse ele. "Soa como, 'Ah, eu só quero mais tempo, me dê mais algumas chances.'"

No entanto, Friis acredita que os clubes que realmente desejam sucesso sustentável precisam pensar além do próximo resultado.

"Não é apenas responsabilidade do treinador," disse ele.

"Isso precisa vir do clube. Precisa fazer parte da cultura, do DNA, dos valores que você tem no clube."

Essa crença foi moldada em parte pelo seu tempo no Brentford.

E Friis agora está aplicando essas lições na Cercle Brugge. Após deixar o Sparta Praga, ele voltou a treinar no exterior assumindo o Cercle, herdando um clube que luta para evitar o rebaixamento na Bélgica.

As circunstâncias eram muito diferentes do Tottenham. Não houve um longo período de adaptação. O Cercle precisava de resultados imediatamente. Friis entregou o suficiente para garantir seu status na primeira divisão e agora recebeu a oportunidade de construir mais com o clube.

Isso lhe dá uma perspectiva interessante sobre a questão que ele discutiu ao falar sobre Frank.

"Você pode fazer os dois," disse Friis sobre desenvolvimento e resultados. "Mas você precisa de vitórias para fazer isso."

Essa frase talvez explique mais sobre a experiência de Frank no Tottenham do que qualquer outra coisa.

Um treinador pode precisar de tempo. Mas ele também tem que conquistá-lo.

E Friis sabe disso melhor do que a maioria, porque ele mesmo já experimentou a pressão.

Sua nomeação no Cercle também o trouxe de volta ao tipo de ambiente de trabalho que ele valoriza: desenvolver jogadores, criar uma identidade clara e construir algo em vez de simplesmente sobreviver de sábado a sábado.

É uma abordagem que ele viu Frank empregar no Brentford.

"Ele tem seus valores, e eu realmente gosto deles," disse Friis. "Ele se encaixou perfeitamente em como o Brentford estava funcionando."

Essa relação continua sendo uma das influências definidoras na própria carreira de treinador de Friis.

Ele viu como Frank criou um ambiente no qual a equipe e os jogadores podiam melhorar. Ele viu quanta atenção Frank dava ao treinamento.

E ele viu em primeira mão que o trabalho necessário para estabelecer uma equipe não pode ser comprimido em algumas semanas.

Agora, com o mandato de Frank no Tottenham chegando ao fim e Friis começando a se estabelecer no Cercle, seus caminhos tomaram direções diferentes.

Mas a lição que Friis tirou de seus anos juntos permanece inalterada.

"Você precisa de tempo para fazer isso."

Para Frank, o Tottenham decidiu, em última análise, que não havia tempo suficiente.

Para Friis, o desafio no Cercle é garantir que ele ganhe tempo suficiente para que suas próprias ideias possam se firmar.