Falando na Radio Marca, o ex-goleiro do Valencia CF e Real Madrid não poupou críticas em sua análise de um clube convulsionado pelo incidente no vestiário entre Fede Valverde e Aurélien Tchouaméni e uma série de outros conflitos internos que surgiram nas últimas semanas.
"Um navio à deriva, sem direção, sem rumo e sem um capitão claro."
Cañizares identificou a saída de líderes importantes do vestiário como a raiz do problema, apontando para um vácuo que ninguém preencheu.
"Havia um capitão -- Dani Carvajal. Antes disso, havia mais dois capitães -- Luka Modrić e Toni Kroos. Estamos falando de pessoas que eram impecáveis em seu comportamento e profissionalismo."
A saída de Kroos no verão passado, o papel diminuído do veterano Modrić e a ausência de Carvajal por lesão de longo prazo deixaram o elenco sem as figuras capazes de restaurar a ordem em momentos de tensão, argumentou Cañizares.
Ele também direcionou suas críticas à estrutura de liderança do clube, questionando tanto o treinador Álvaro Arbeloa quanto o presidente Florentino Pérez.
"O treinador não é respaldado por grandes resultados e o presidente não toma as melhores decisões esportivas ou de conduta."
Suas palavras mais afiadas foram reservadas para a ordem de capitão, especificamente a decisão de colocar Vinícius Júnior acima do goleiro Thibaut Courtois na hierarquia.
"Se eu tiver que dar a braçadeira a Vinícius ou a Courtois, com base no profissionalismo e no espírito esportivo, eu dou a Courtois sem hesitação."
Sobre os conflitos recorrentes no vestiário, Cañizares reconheceu que a fricção é inevitável em qualquer elenco, mas insistiu que a diferença está em saber se um treinador tem a autoridade para agir sobre isso.
"Sempre há alguns problemas dentro de um vestiário. Quando há um treinador com poder real, o jogador que está causando problemas no domingo simplesmente não é convocado -- e isso é o fim."
Ele fechou com uma frase que capturou todo o seu diagnóstico em uma única linha.
"O profissionalismo é contagioso -- mas a indolência também é."
O Real Madrid enfrenta o Barcelona no El Clásico no domingo, onze pontos atrás na La Liga com quatro jogos restantes. O veredicto de Cañizares foi dado sem cerimônia: este não é um time em transição -- é um time que se perdeu.