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Bruno Baltazar exclusivo sobre influências de treinamento: Eu pego o bom e o ruim de todos

·Entrevista por Xhulio Zeneli
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Bruno Baltazar exclusivo sobre influências de treinamento: Eu pego o bom e o ruim de todos

Radomiak Radom/X.com

Bruno Baltazar passou sua carreira como treinador cruzando fronteiras, mudando de ambientes e absorvendo ideias.

Portugal, Chipre, Catar, Inglaterra, Estados Unidos, Bulgária, Polônia e França o moldaram. Assim como os treinadores com quem trabalhou e estudou, de José Mourinho e Leonardo Jardim a Sabri Lamouchi e Arrigo Sacchi.

Mas Baltazar não acredita em copiar outro treinador.

"Eu não idolatro treinadores pela maneira como trabalham ou jogam," Baltazar disse. Football Presse.. "Eu pego o bom e o ruim de todos."

Essa filosofia foi formada através de uma carreira na qual a adaptação foi essencial.

"Cada clube é diferente, e cada país é diferente," ele disse. "Você precisa se adaptar."

Para Baltazar, treinar tem sido, portanto, um processo de educação contínua em vez da busca por um modelo de futebol definitivo.

"Eu cresci muito como treinador," ele disse. "Eu cresci muito como homem, como indivíduo."

Entre os treinadores que mais o impressionaram está o mais famoso treinador português de todos.

"José Mourinho foi a força motriz," Baltazar disse. "Ele mudou a maneira como pensamos sobre futebol e a maneira como pensamos sobre treinamento."

A ascensão de Mourinho teve um efeito profundo no futebol português, mas a admiração de Baltazar vai além dos troféus. Ele vê um treinador que se adaptou continuamente a diferentes clubes, países e circunstâncias -- algo que ressoa com sua própria carreira.

Baltazar também aponta para uma geração de treinadores portugueses que, como ele, construíram suas reputações gradualmente.

"Minhas referências são treinadores que tiveram carreiras semelhantes à minha," ele disse. "Leonardo Jardim, Paulo Fonseca, Marco Silva e Rui Vitória.

"Eles construíram suas carreiras passo a passo."

Isso importa para Baltazar porque seu próprio caminho estava longe de ser convencional.

Ele começou a treinar nas divisões inferiores de Portugal antes de progredir no jogo, eventualmente ganhando o campeonato cipriota com o APOEL. Sua carreira desde então o levou a diferentes culturas do futebol, incluindo um período ao lado de Lamouchi no Nottingham Forest.

"Eu comecei na terceira divisão," ele disse.

"Eu subi, trabalhei na segunda divisão, treinei em Portugal e então me tornei campeão em uma liga europeia."

Se Mourinho representa uma influência de sua terra natal, Lamouchi forneceu algo muito mais direto.

Baltazar trabalhou com o francês no Al-Jaish no Catar e depois no Forest, vivenciando seus métodos de dentro da equipe técnica.

"Eu aprendi muito com Sabri," Baltazar disse. "Sabri tinha muito da mentalidade de Arrigo Sacchi."

Essa conexão foi particularmente importante para Baltazar porque as ideias de Sacchi representavam uma maneira diferente de entender o jogo.

"Eu aprendi muito com ele sobre trabalho tático e a maneira italiana de pensar."

A influência de Sacchi no treinamento moderno é enorme. Seu AC Milan venceu Copas da Europa consecutivas em 1989 e 1990, enquanto sua ênfase na organização coletiva, pressão, compactação e movimento coordenado ajudou a reformular o futebol italiano.

Baltazar absorveu esses princípios através de Lamouchi, mas não os reproduziu simplesmente.

"Mais tarde, eu adaptei essa maneira de trabalhar mais analítica e tática ao meu próprio estilo."

Essa frase final talvez explique Baltazar melhor do que qualquer formação poderia.

Ele é um acumulador de ideias.

Ele pega algo da preparação de Mourinho, da organização tática de Sacchi, da influência italiana de Lamouchi e dos treinadores portugueses que demonstraram que uma carreira poderia ser construída progressivamente.

Então ele adapta isso para suas próprias equipes.

Sua filosofia de futebol é igualmente flexível.

"Eu gosto de equipes ofensivas e agressivas, organizadas defensivamente e também sem a bola," ele disse. "Eu gosto de equipes que têm a bola e qualidade de jogo."

Mas Baltazar não é ideológico sobre a posse.

"Claro, eu sei a importância do resultado e sei que as equipes precisam ser pragmáticas.

"Tem que haver uma adaptação constante dependendo do adversário e do contexto."

Essa disposição para se adaptar foi testada repetidamente.

As demandas do Campeonato no Nottingham Forest eram completamente diferentes das da MLS NEXT Pro com o Rochester New York FC. A França trouxe outro desafio em Caen, enquanto seu trabalho na Polônia o colocou em mais uma cultura do futebol.

Para Baltazar, cada experiência adiciona mais uma camada.

"De todos os clubes, eu tiro coisas boas," ele disse. "Eu trago pessoas especiais, eu trago novas experiências.

"E todas essas experiências me tornam um homem melhor, um treinador melhor e mais preparado para os desafios futuros."

É uma perspectiva que também explica por que ele continua interessado em aprender em vez de se apresentar como um produto acabado.

Houve títulos, futebol europeu e projetos bem-sucedidos. Também houve períodos difíceis e decepções, incluindo Caen, onde ele admitiu que não conseguiu alcançar o objetivo estabelecido para ele.

Mas mesmo essas experiências se tornam parte da educação.

"Toda vez que vou para um novo clube ou para um novo país, obviamente precisamos nos adaptar à nova realidade," ele disse. "Toda essa adaptação é difícil, mas tem sido uma experiência incrível.

"Eu cresci muito como treinador."

A influência dos grandes treinadores, então, não é necessariamente sobre se tornar o próximo Mourinho ou Sacchi.

É sobre entender por que eles tiveram sucesso, decidir o que pode ser transferido para seu próprio ambiente e saber o que precisa mudar. Isso é talvez a coisa mais reveladora sobre a filosofia de treinamento de Baltazar.

Ele nunca parou de se mover. E ele nunca parou de aprender.

"Eu não idolatro treinadores," ele disse.

"Eu pego o bom e o ruim de todos."