Football Presse

Alfie Conn exclusivo sobre os gigantes britânicos Sir Alex, Hoddle e Dalglish: Jogadores simplesmente incríveis

·Entrevista por Jacob Hansen
Partilhar
Alfie Conn exclusivo sobre os gigantes britânicos Sir Alex, Hoddle e Dalglish: Jogadores simplesmente incríveis

Liverpool/X.com

Alfie Conn jogou ao lado de três homens que se tornariam gigantes do futebol britânico -- Sir Alex Ferguson, Glenn Hoddle e Kenny Dalglish -- mas cada um deixou uma impressão muito diferente no ex-jogador do Rangers, Tottenham Hotspur e Celtic.

Ferguson era o companheiro de equipe intransigente. Hoddle era o talento extraordinário surgindo no Tottenham. Dalglish se tornou um amigo para a vida toda.

Ao ser questionado sobre Ferguson, Conn imediatamente lembra do jogador em vez do treinador que dominaria o futebol inglês com o Manchester United.

"Fergie era bom," disse Conn Football Presse. "Ele trabalhava duro, se esforçava, podia marcar gols.

"Mas eu acho que seu forte se destacou quando ele se tornou treinador. Ele é, obviamente, um dos melhores treinadores de todos os tempos, com seu histórico.

"Mas como jogador, ele era um típico escocês. Sem frescura. Essa era uma coisa -- sem frescura sobre ele. Faça o que tem que fazer. Se você não está fazendo, você está fora."

Conn já era um jogador estabelecido do Rangers quando Ferguson foi seu companheiro de equipe, com ambos envolvidos nas campanhas europeias do Rangers. A carreira de treinador subsequente de Ferguson o tornaria uma das figuras definidoras do futebol, mas Conn se lembra das qualidades que já eram visíveis no campo de treinamento.

"Ele trabalhava duro, se esforçava, podia marcar gols."

No Tottenham, Conn encontrou um jogador de futebol completamente diferente.

Glenn Hoddle ainda estava surgindo quando Conn chegou ao White Hart Lane em 1974, mas ele não precisou de muito tempo para reconhecer que o jovem possuía algo extraordinário.

"Oh, jogador incrível," disse Conn.

"Quando eu estava lá, ele estava apenas subindo pelas reservas e o que quer que fosse, e eu finalmente consegui jogar com ele antes de eu sair."

Então vem a avaliação de alguém que já viu muitos jogadores excepcionais.

"Honestamente, seu talento -- não havia limite para seu talento."

A admiração de Conn vai além da habilidade técnica de Hoddle.

"Mesmo agora, eu não sei qual era seu melhor pé, o pé esquerdo ou o pé direito. Imagine -- ele era confortável com os dois.

"Você nunca poderia dizer, 'Oh, ele é um jogador canhoto' ou 'ele é um jogador destro'. Absolutamente brilhante. Jogador de futebol tremendo, e um cara adorável."

Essa combinação -- habilidade extraordinária e uma personalidade calorosa -- é claramente o que Conn mais se lembra.

"Ele é apenas um cara adorável," acrescentou.

O surgimento de Hoddle coincidiu com o próprio período difícil de Conn no Tottenham. Lesões e mudanças de treinador restringiram Conn a 49 aparições pelo Spurs, mas ele esteve lá tempo suficiente para ver Hoddle começar a se estabelecer. Os próprios registros do Tottenham descrevem Conn como uma figura cult cuja atuação em 1974-75 ajudou o clube a escapar do rebaixamento, enquanto Hoddle estava surgindo como um dos grandes talentos do clube.

Mas talvez a relação mais tocante que Conn recorda seja com Kenny Dalglish. A amizade deles começou antes que qualquer um tivesse se tornado um nome conhecido.

"Eu joguei com Kenny na juventude profissional escocesa," disse Conn.

A amizade continuou quando Conn passou por sua primeira operação de cartilagem.

"Quando eu fiz minha primeira operação de cartilagem, eu estava no hospital e o sogro de Kenny possuía um restaurante e pub bem perto do hospital.

"Kenny costumava vir todos os dias com comida quente para mim."

Isso não era tudo.

"Ele me trouxe uma TV e um rádio transistor, e costumava estar ligado a cada dois dias até eu sair."

Para Conn, isso foi o começo de uma amizade que durou anos.

"E a amizade continuou a partir daí. Na verdade, ele estava no meu casamento, Kenny e Marina."

As carreiras de Dalglish e Conn então os levaram em direções diferentes. Dalglish se tornou um ícone do Liverpool antes de retornar ao Celtic como treinador, enquanto Conn se moveu entre Tottenham, Celtic e clubes nos Estados Unidos e na Escócia.

Mas o afeto permaneceu.

"Kenny está obviamente no Liverpool, eu estou fazendo uma coisa com o Tottenham. Nós apenas nos afastamos. E então eu o encontrei algumas vezes quando ele voltou como treinador do Celtic."

A descrição de Conn sobre Dalglish é descomplicada.

"Outro cara adorável. E sua esposa Marina é uma garota adorável."

É o tipo de memória que diz mais sobre Dalglish do que uma lista de troféus poderia algum dia.

Há também uma maravilhosa simetria na história. Conn acabaria se juntando a Dalglish no Celtic, tendo cruzado a divisão do Old Firm do Rangers, enquanto Dalglish deixaria o Celtic para o Liverpool em 1977. Conn já havia estado próximo dele antes de se tornarem companheiros de equipe em Parkhead. Sua mudança para o Celtic naquele ano causou uma enorme controvérsia, mas jogar ao lado de Dalglish foi um dos prazeres do novo capítulo.

Três grandes carreiras no futebol. Três memórias muito diferentes.

Ferguson era o jogador de futebol trabalhador e sem frescuras que Conn acredita ter revelado suas maiores qualidades na gestão.

Hoddle era o jovem gênio cujo talento parecia ilimitado.

E Dalglish era o amigo que apareceu no hospital com comida quente, uma televisão e um rádio quando Conn estava machucado.

Para todas as medalhas, gols e conquistas como treinador que vieram depois, esses são os detalhes que Conn se lembra.

E talvez esse seja o privilégio de ter compartilhado um vestiário com grandes jogadores: vê-los antes que a história decida o que eles se tornarão.

O livro de Alfie Conn "What's it all About? The Alfie Conn Story" é da Pitch Publishing - que está disponível aqui.

Pitch Publishing
Pitch Publishing