Football Presse

OPINIÃO: Culpar Tuchel? Sim - mas Messi acabou de mostrar a Bellingham o quanto ele ainda precisa evoluir

·Por Chris Beattie, Editor
Partilhar
OPINIÃO: Culpar Tuchel? Sim - mas Messi acabou de mostrar a Bellingham o quanto ele ainda precisa evoluir

Inter Milan/X.com

Por 72 minutos, ele foi um gênio. A Inglaterra estava na frente. A Argentina estava se abrindo. E as chances de um segundo gol estavam aumentando. Mas então Thomas Tuchel agiu...

O apito final ainda não havia soado, mas a comemoração já estava em pleno andamento. E para ser justo, a decisão de Tuchel de zig em vez de zag contribuiu para a derrota da Inglaterra na semifinal da Copa do Mundo para a Argentina em Atlanta na quarta-feira.

Mas o alemão não foi o único culpado. E como dizemos, durante três quartos do confronto, sua seleção de equipe agressiva parecia genial. Foi Morgan Rogers, convocado para o lugar de Noni Madueke, quem criou o primeiro gol de Anthony Gordon na noite. Assim como Djed Spence, preferido na lateral esquerda a Nico O'Reilly - tão impressionante no Azteca - que fez aquela incrível recuperação minutos depois para impedir que um Giuliano Simeone livre e claro finalizasse de perto no gol de Jordan Pickford.

E não foi apenas aquela entrada - que foi um verdadeiro destaque do jogo - que justificou a inclusão do lateral do Tottenham. A velocidade de Spence, tanto no ataque quanto na defesa, fez a Inglaterra dominar sua ala esquerda, enquanto ele se combinava superbamente com Gordon. Na lateral direita, Tuchel novamente foi agressivo, trazendo o mais móvel e ofensivo Reece James para o lugar de Ezri Konsa. Novamente, a escolha estava funcionando. Era genial.

Ao apito final, o vencedor da Copa do Mundo da Espanha, Iker Casillas, foi ao X e chamou a Inglaterra de "covardes" pela forma como escolheram defender o que tinham após o gol de Gordon. Mas a lenda do Real Madrid estava errada. Isso não aconteceu até a substituição do novo reforço do Barcelona. Imediatamente após o gol, Cristian Romero quase teve seu bolso roubado pela segunda vez dentro da área da Argentina. Harry Kane teve uma tentativa a gol. Com Rogers, e depois Jude Bellingham, também ameaçando dobrar a vantagem da Inglaterra. Mais preocupante para a Argentina eram tanto Romero quanto Lisandro Martinez com cartões amarelos.

Sim, eles estavam criando chances próprias. Mas a Inglaterra - como fez com dez homens no México - sempre foi uma ameaça com Gordon disposto a perseguir qualquer coisa e tudo que aparecesse em seu caminho. A Inglaterra tinha este jogo em suas mãos. De fato, a história antes daquela primeira substituição teria girado em torno de Tuchel acertando sua seleção absolutamente. Mas então ele agiu...

Aos 72 minutos, saiu o goleador da Inglaterra e entrou Konsa. Tuchel passou a um sistema com cinco defensores. E enquanto seu homólogo argentino, Lionel Scaloni, lançava três opções ofensivas ao mesmo tempo, a velocidade e a determinação de Gordon foram removidas. Para esta coluna, essa foi a mudança que entregou à Argentina não apenas o momentum, mas também a segurança para atacar à vontade, sabendo que a ameaça de Gordon havia sido eliminada.

Dez minutos depois, com a Inglaterra se ressentindo, Tuchel foi mais longe. Saiu Declan Rice para a entrada de O'Reilly, com James também sendo substituído ao mesmo tempo por Dan Burn. Um minuto depois, o meio-campo da Inglaterra, desprovido de Rice, deu a Enzo Fernandez tempo e espaço suficientes para escolher seu lugar e disparar um espetacular gol de empate contra Pickford. Foi um dos grandes gols do torneio. Mas se Rice ainda estivesse em campo - com sua experiência e consciência - Enzo teria recebido tanto tempo para finalizar?

Com aquele gol, só poderia haver um vencedor. Tuchel havia removido dois de seus melhores jogadores na noite. O ataque ficou a cargo de um Kane lento e um Bellingham ineficaz. Novamente, antes da intervenção de Enzo, a história deste jogo teria sido sobre o elenco de apoio da Inglaterra. Gordon, Spence e o excepcional Elliot Anderson. O jogo de passes longos do Geordie foi feito sob medida para aqueles últimos 20 minutos. Mas com Gordon fora de cena, a chance de explorar uma Argentina excessivamente comprometida havia desaparecido. Um Marcus Rashford fresco poderia ter sido essa opção, mas ele não foi visto até depois que Lautaro Martinez cabeceou os detentores do título à frente nos acréscimos.

Aqueles dois gols da Argentina vieram através do jogador mais velho em campo. Lionel Messi foi decisivo, excepcional. Um jogador de 39 anos vindo da MLS. No maior palco. Nos maiores momentos. Com o jogo clamando por alguém para assumir o controle. Messi provou mais uma vez seu valor. Bellingham e Kane como candidatos ao Ballon d'Or? Quem estamos enganando? Enquanto eles murchavam e encolhiam, o velho de Miami mostrou a ambos os jogadores da Inglaterra o que é necessário para estar entre os grandes.

Por mais que Tuchel mereça essa crítica, não se pode ignorar como Bellingham e Kane desapareceram na noite. Foi um momento para heróis. Lendas... líderes. Mas nenhum dos jogadores se destacou quando a Inglaterra mais precisava deles. O elenco de apoio, como mencionado, teve um bom desempenho. Mas os dois decisivos deixaram a desejar. E será um teste para os comentaristas e analistas da Inglaterra se as atuações de Kane e Bellingham serão analisadas, ou se a brigada de ex-jogadores - novamente - colocará toda a culpa no treinador.

Sim, Tuchel errou com suas mudanças. Mas ele não é nenhum Robinson Crusoé. Se a Inglaterra quiser emergir e melhorar nesta corrida até as semifinais, então jogadores como seu número 10 poderiam ter um pouco de humildade e aceitar quão longe estão de igualar os melhores do jogo. Colocar toda a culpa no treinador não fará nenhum favor a esta equipe da Inglaterra.