A decisão foi tomada assim que ficou claro que não poderiam contratar Andrea Pirlo como o novo técnico da Azzurri.
O presidente da FIGC, Giovanni Malagò, trouxe Maldini em 11 de julho para liderar uma nova estrutura técnica para o futebol italiano, prometendo-lhe autonomia significativa nas decisões futebolísticas, com Leonardo nomeado ao seu lado como conselheiro. A primeira tarefa da dupla foi encontrar um sucessor para Luciano Spalletti após a falha da Itália em se classificar para a terceira Copa do Mundo consecutiva.
Após abordagens a Pep Guardiola e Carlo Ancelotti serem recusadas, Maldini e Leonardo decidiram por Pirlo como seu único candidato -- supostamente dizendo a colegas "ele ou ele, ninguém mais" -- e um acordo verbal foi firmado para que o ex-meio-campista liderasse a seleção nacional até a Copa do Mundo de 2030.
Esse plano desmoronou assim que o papel de Pirlo como embaixador global da plataforma de apostas russa Fonbet, cuja publicidade é proibida na Itália, se tornou público. Malagò, desconfortável com o arranjo desde o início, recusou-se a autorizar a nomeação no domingo, forçando o cancelamento de reuniões agendadas em Roma para segunda-feira que visavam finalizar o acordo, incluindo a rescisão do contrato de Pirlo com o United FC de Dubai.
Com seu único candidato bloqueado e sem apetite de Malagò por alternativas como Thiago Motta, Maldini e Leonardo concluíram que sua prometida autonomia não havia sido honrada e apresentaram suas renúncias.
O vice-presidente da FIGC, Giovanni Abete, confirmou que a federação efetivamente soube das saídas de forma indireta.
"Vamos chamá-las de renúncias, embora eu não ache que tenham sido formalizadas ainda. Descobrimos a notícia enquanto estávamos saindo do escritório do presidente. Até 45 minutos atrás, estávamos pensando nas alternativas que o diretor técnico e o conselheiro estavam propondo. Agora temos que começar do zero com um projeto sério," disse ele.
A busca por um novo técnico agora retorna ao ponto de partida, com o candidato preferido de Malagò, Roberto Mancini, mais uma vez sendo o favorito, e Antonio Conte -- a escolha preferida pelos clubes da Serie A por sua experiência -- ainda sem realizar conversas formais com a federação. Giorgio Chiellini também foi mencionado como um possível substituto para Maldini no papel de diretor técnico, enquanto o futebol italiano busca estabilidade após não ter conseguido chegar às últimas três Copas do Mundo.
O episódio continua uma fase turbulenta para Maldini na gestão esportiva: ele foi demitido como diretor técnico do AC Milan em junho de 2023 após uma ruptura nas relações com o proprietário Gerry Cardinale, pouco mais de um ano após guiar o clube ao Scudetto. Sua saída da federação, ao lado da de Leonardo, deixa Malagò precisando reconstruir a estrutura de liderança que apresentou com grande alarde há pouco mais de duas semanas, em um momento em que o futebol italiano não pode se dar ao luxo de mais atrasos na definição de um plano de longo prazo para a seleção nacional.
