Vingada discute seu trabalho com Carlos Queiroz e suas opiniões sobre o futebol moderno. Da Arábia Saudita à Coreia do Sul e Portugal, Vingada compartilha insights de uma carreira que abrange mais de quatro décadas.
Sobre Sua Jornada e Filosofia de Treinamento
Sua carreira como treinador abrange mais de quatro décadas. O que o inspirou a entrar no treinamento tão cedo?
Comecei a treinar em Portugal quando terminei minha carreira como jogador aos 28 anos. Comecei com a equipe juvenil do Atlético Clube de Portugal, onde também fazia parte do time principal como jogador. Foi uma experiência incrível e me impulsionou para o mundo do treinamento. Eu também havia concluído meu curso universitário em Educação Física e Esportes, com especialização em futebol, o que teve um grande papel na formação do meu caminho.
De onde veio seu apelido "O Professor"?
Como jogador, todos me chamavam de Nelo, era meu apelido de infância. Quando me tornei treinador, já havia concluído minha formação universitária, então os jornalistas começaram a me chamar de "Professor Nelo Vingada". Minha formação acadêmica e a influência de treinadores como Mário Wilson, Peres Bandeira e Artur Jorge moldaram minha abordagem ao jogo.
Quais foram as principais lições dos seus primeiros anos em Portugal?
A lição mais importante foi o respeito. Eu sempre via o jogador primeiro como um ser humano e depois como um profissional. Esse princípio me guiou ao longo da minha carreira.
Sobre Carlos Queiroz e Desenvolvimento Juvenil
Você trabalhou de perto com Carlos Queiroz. Como você o descreveria e sua colaboração?
Nós nos conhecemos na universidade, onde construímos uma forte amizade. Mais tarde, ambos nos tornamos professores e trabalhamos juntos. Eu o considero como um irmão. Ele mudou o futebol português, especialmente no desenvolvimento juvenil. Quando foi nomeado pela Federação Portuguesa de Futebol, ele me convidou para me juntar a ele, e juntos alcançamos resultados fantásticos.
Você teve a chance de se juntar a ele no Real Madrid. Por que isso não aconteceu?
Na época, eu já havia dado minha palavra ao Zamalek, mesmo que nada estivesse assinado. Quando Carlos me convidou, eu não poderia voltar atrás no meu compromisso. Para mim, cumprir minha palavra era mais importante.
Quais jovens jogadores portugueses você vê como futuras estrelas?
Portugal continua a produzir talentos de alto nível. Clubes como Benfica, Porto e Sporting estão fazendo um excelente trabalho. Jogadores como Rodrigo Mora e Anísio têm potencial para se tornarem estrelas no futebol europeu.
Treinando pelo Mundo
Você treinou em vários continentes. Como o futebol difere entre as regiões?
O jogo é o mesmo em todos os lugares--uma bola, 11 contra 11--mas a cultura ao redor dele é muito diferente. Para ter sucesso, você deve entender e respeitar a cultura, religião, estilo de vida e tradições futebolísticas de cada país. Essa sempre foi a base do meu trabalho.
Qual foi seu maior desafio fora da Europa?
Entender e respeitar a cultura de cada país. Isso sempre foi a chave para construir confiança e alcançar o sucesso.
Qual país mais te surpreendeu?
A Arábia Saudita, porque foi minha primeira experiência no exterior. Em apenas um mês, construímos um time forte e nos tornamos campeões asiáticos em 1996. A Coreia do Sul também me impressionou muito, especialmente a organização e o profissionalismo do FC Seoul.
Ganhar a Copa da Ásia com a Arábia Saudita foi histórico. O que tornou aquele time especial?
Foi uma conquista fantástica. Combinamos jogadores experientes da Copa do Mundo de 1994 com jovens talentos da equipe olímpica. Esse equilíbrio criou um elenco muito forte.
Seu título de liga invicto com o Zamalek foi notável. O que estava por trás desse sucesso?
Foi uma temporada especial. Tínhamos um grupo forte, uma atmosfera familiar e o equilíbrio certo entre jogadores talentosos e trabalhadores. O Egito é como uma segunda casa para mim.
Como o futebol sul-coreano te impressionou?
A organização e o profissionalismo eram excepcionais. No FC Seoul, o espírito de equipe era mais forte do que o talento individual, e isso fez a diferença.
Opiniões sobre o Futebol Moderno
O que você pensa sobre o Benfica nos últimos anos?
O Benfica tem uma das melhores academias do mundo, produzindo talentos incríveis. No entanto, nem sempre vejo isso refletido no time principal.
Qual é a sua opinião sobre o retorno de Mourinho ao Benfica?
O Benfica queria estabilidade e experiência, e Mourinho traz isso. Os resultados ainda não atenderam totalmente às expectativas, mas ainda há tempo para melhorar.
Como você avalia Rui Costa como presidente?
Ele foi um jogador fantástico e está fazendo um bom trabalho. No entanto, sinto que ele precisa de um suporte mais forte ao seu redor para tomar decisões ainda melhores.
O que você acha dos investimentos recentes no futebol saudita?
Eu não vejo isso como totalmente positivo. Muitos jogadores estrangeiros limitam as oportunidades para talentos locais, especialmente jovens jogadores.
Como você reflete sobre seu tempo no Irã e no Egito?
No Irã, a organização foi um desafio, embora os jogadores e as pessoas fossem fantásticos. No Egito, minha experiência foi muito positiva, especialmente trabalhando perto da seleção nacional.
O que você acha das atuações de Mohamed Salah?
Ele é um jogador e uma pessoa incrível. Na minha opinião, a seleção nacional deve ser construída em torno dele, semelhante a como ele joga no Liverpool.
Sobre o Futebol Português e o Futuro
O que você acha da experiência de Rúben Amorim no Manchester United?
Ele fez um excelente trabalho no Sporting. No Manchester United, ele tentou impor suas ideias, mas talvez precisasse de mais flexibilidade. No futebol, os resultados sempre ditam tudo.
Portugal pode ganhar a Copa do Mundo?
Portugal está entre as melhores seleções. Chegar às quartas de final deve ser o mínimo, as semifinais seriam uma conquista forte e a final seria excelente. No futebol, nada é impossível.