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Nando Rafael exclusivo: Klopp e a identidade perdida do futebol da Alemanha

·Entrevista por Xhulio Zeneli
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Nando Rafael exclusivo: Klopp e a identidade perdida do futebol da Alemanha

Liverpool/X.com

Nando Rafael passou grande parte de sua carreira profissional na Alemanha, chegando ao Hertha BSC Berlin como um jovem jogador antes de representar o Borussia Mönchengladbach e o FC Augsburg.

Ele viveu a Bundesliga na adolescência, a luta contra o rebaixamento e a conquista do acesso, dando-lhe uma perspectiva sobre o futebol alemão que vai além de assistir de fora.

Então, quando Rafael discute a nomeação de Jürgen Klopp como treinador da Alemanha, seu entusiasmo vem de mais do que a reputação de Klopp.

Ele vê um treinador que entende a cultura do futebol do país.

"Isso era algo que eu gostaria que tivesse acontecido há três ou quatro anos," Rafael diz Football Presse. "Quero dizer, com Hansi Flick eles realmente tinham um bom treinador, uma boa pessoa. Ele é uma figura paterna, mas Jürgen Klopp realmente representa a mentalidade alemã.

"Para mim, você não poderia conseguir um treinador melhor que conhece o futebol alemão, que conhece a cultura alemã e a identidade do futebol alemão."

Rafael acredita que a experiência de Klopp fora da Alemanha é igualmente importante. Seus anos na Inglaterra, particularmente sua transformação do Liverpool, lhe deram uma compreensão de como reconstruir algo com história, expectativa e uma identidade estabelecida.

Essa experiência, argumenta Rafael, pode ser particularmente valiosa para uma seleção nacional alemã em busca de sua própria direção.

"Estar na Inglaterra, ter essa experiência e realmente devolver ao Liverpool a identidade que o Liverpool tinha antigamente, isso é algo especial. Ele entende o que significa construir algo, e também o que significa lidar com jogadores individualmente.

"Klopp sabe como lidar com jogadores individualmente porque ele já mostrou isso quando esteve provavelmente 11 anos no Liverpool, que não era o clube mais fácil de entrar com esse tipo de história, e ainda assim mantendo e construindo."

Para Rafael, o desafio atual da Alemanha não é simplesmente uma questão de talento ou táticas de treinamento. É uma questão de identidade.

Durante sua carreira na Alemanha, ele viu em primeira mão as diferentes exigências impostas aos jogadores no Hertha, Mönchengladbach e Augsburg. Sua educação inicial na Bundesliga lhe ensinou sobre a importância dos resultados, enquanto o rebaixamento mais tarde expôs a intensidade e a responsabilidade coletiva necessárias para sobreviver.

Essas experiências informam sua crença de que o futebol alemão tradicionalmente possui uma mentalidade particular que não deve ser abandonada na busca por outros modelos de futebol.

"Muitos países ou até mesmo clubes cometeram o erro de acreditar que a maneira como a Espanha jogava futebol é a maneira certa, é a melhor maneira. Mesmo que você conheça a estrutura e a história, como eles jogam futebol, esse tipo de futebol veio da Holanda, na verdade veio do Ajax.

"Johan Cruyff e Rinus Michels trouxeram isso para a Espanha, onde o Barcelona adaptou e abraçou esse tipo de ideologia, trazendo Pep Guardiola e todos esses caras que realmente acreditam estritamente nesse tipo de futebol, que domina e mudou na verdade a maneira de jogar futebol na última década."

O argumento de Rafael não é que a Alemanha deva rejeitar o futebol técnico ou a evolução tática. Em vez disso, ele acredita que uma seleção nacional precisa entender o que a torna distinta.

Para ele, a identidade do futebol alemão historicamente foi construída em torno da competição, gerenciando momentos difíceis e encontrando maneiras de vencer.

"O futebol alemão, em todos os torneios que você pode imaginar, a Copa do Mundo ou o Campeonato Europeu, a Alemanha ou os clubes alemães sempre terminariam nas quartas de final ou semifinais ou jogariam a final.

"A Alemanha, o padrão era assim, a semifinal é o começo do torneio, se pudermos voltar no tempo e realmente ver a performance e vencer a Copa do Mundo, tendo um período sem vencer a Copa do Mundo e depois vencendo a Copa do Mundo novamente."

Essa expectativa moldou o futebol alemão por gerações. Rafael se lembra de uma cultura onde alcançar as fases finais de grandes torneios não era considerado uma conquista excepcional, mas o padrão mínimo.

O recente declínio, em sua visão, torna a restauração dessa mentalidade particularmente importante.

"O que torna a Alemanha especial é essa identidade. E eu acho que mesmo com a mudança de cultura e a mudança do jogo, ou a evolução do jogo na Alemanha, a identidade deve sempre ser a mesma."

Sua comparação com outras culturas de futebol é reveladora. Rafael vê o futebol sul-americano como possuindo suas próprias características distintas, enquanto a Alemanha historicamente tinha uma versão diferente do mesmo instinto competitivo.

"Se você puder ver, por exemplo, a América do Sul, eles têm sua identidade. Eles são como jogadores sujos pra caramba. Eles não vão jogar limpo. Eles vão te intimidar, vão te chutar, empurrar, morder e fazer tudo para vencer. E eles podem jogar pra caramba.

"Garotos que sabem como vencer.

"Os alemães tinham a mesma mentalidade e atitude também, mas de uma maneira alemã. Sempre gerenciando para vencer jogos, não jogando o futebol mais bonito, tudo sobre vencer jogos de futebol e então, no final, alcançar a semifinal, alcançar a final ou vencer a copa."

Essa descrição reflete a própria educação de Rafael na Alemanha. No Borussia Mönchengladbach, ele viveu o rebaixamento e aprendeu que a qualidade técnica sozinha não poderia garantir a sobrevivência. No Augsburg, ele se tornou parte de uma equipe que lutou para entrar na Bundesliga por meio da disciplina e responsabilidade coletivas.

A Alemanha, sugere ele, sempre entendeu que o futebol é, em última análise, sobre gerenciar pressão.

O apelo de Klopp reside em parte em sua capacidade de comunicar essa mensagem.

Rafael não o descreve simplesmente como taticamente conhecedor. Ele descreve um treinador capaz de criar crença entre os jogadores, algo que ele considera igualmente importante em nível internacional.

"Se você seguiu sua entrevista, ele disse algumas coisas onde eu diria, não, cara, eu gostaria de jogar para esse cara.

"Porque se você seguir a maneira como ele se guia, a maneira como ele se apresenta, você pode sempre ver quão profissional ele é, mas também a parte humana dele tentando te inspirar, te proteger e te dar a sensação de que eu realmente acredito que você pode fazer isso."

Essa combinação de intensidade e conexão pessoal é central para a crença de Rafael em Klopp. Um treinador de seleção nacional tem tempo limitado com os jogadores em comparação com um treinador de clube, tornando a capacidade de estabelecer confiança particularmente importante.

Mas Rafael acredita que a influência de Klopp deve se estender além da equipe principal.

Ele aponta para a estrutura do futebol alemão como uma área que requer atenção, argumentando que a seleção nacional não pode simplesmente ser tratada como um projeto isolado.

"Estou muito feliz com o que ele disse também em sua entrevista. Não se trata apenas da equipe principal, mas de toda a organização.

"O foco dele não será apenas na equipe principal, mesmo que o próximo torneio seja em dois anos e a qualificação comece em breve. Toda a estrutura precisa mudar.

"E isso é algo que eu acredito, se ele tiver a chance e se eles forem pacientes o suficiente para lhe dar essa oportunidade, eu 100% acredito que talvez a próxima Copa do Mundo será completamente diferente do que vivenciamos nos últimos dois grandes torneios em que a Alemanha jogou."

Para Rafael, Klopp representa mais do que uma mudança de treinador. Ele representa a possibilidade de reconectar o futebol alemão com algo que ele uma vez entendeu instintivamente.

Tendo passado seus anos profissionais formativos no país, ele conhece as expectativas que cercam a seleção nacional. Ele também sabe que o futebol alemão nunca precisou imitar a identidade de outro país para ter sucesso.

O desafio, como ele vê, é lembrar o que o tornou bem-sucedido em primeiro lugar.