Football Presse

João Pedro fala sobre obsessão pelo Chelsea, comparações com Drogba e sonho de Copa do Mundo

·Por Junior Yekini
Partilhar
João Pedro fala sobre obsessão pelo Chelsea, comparações com Drogba e sonho de Copa do Mundo

Chelsea/X.com

João Pedro concedeu uma das entrevistas mais reveladoras de sua carreira, falando em várias plataformas de mídia brasileiras sobre sua transformação em um verdadeiro número nove.

O jogador de 24 anos entregou 21 gols e seis assistências em 42 aparições em sua temporada de estreia em Stamford Bridge -- um retorno que o colocou firmemente na disputa para liderar o ataque do Brasil neste verão.

O processo de se tornar um centroavante foi, como ele explica, um ato deliberado de auto-definição.

"Desde que cheguei ao Chelsea, deixei muito claro -- no Watford joguei como um No.10, como um No.9. No Brighton também. Mas desde que cheguei aqui, é algo que eu lutei muito. Eu queria jogar apenas como um No.9."

Não era vaidade. Era sobre continuidade e habilidade.

"Quando você continua mudando de posição, perde um pouco da sensação pelo papel. Desde o início da temporada, tenho trabalhado muito com a equipe do Chelsea, sempre tentando melhorar em alguns aspectos."

O trabalho produziu um perfil definido -- um atacante que contribui em vez de esperar.

"Eu me sinto melhor jogando como um atacante, perto do gol. Mas não sou aquele atacante que apenas fica parado esperando dentro da área. Eu gosto de participar do jogo. Sou um No.9 participativo. Posso construir jogadas e marcar muitos gols também."

Dois jogadores moldaram como ele pensou sobre a posição.

"Hoje, eu realmente gosto de Kane e Lewandowski. Eu segui mais o Kane por causa da Premier League e me inspiro muito nele. Quando joguei contra o Kane, prestei muita atenção nele. Nós trocamos camisas também. Ele é um jogador que admiro e espero alcançar seu nível."

A temporada não tem sido descomplicada. O Chelsea trocou de treinador durante a campanha e os resultados foram inconsistentes.

"Infelizmente estamos vivendo um momento difícil, trocando de treinador, não ganhando tanto. Mas eu acho que quando o Chelsea melhorar, isso pode ser apenas o começo de um período muito bom para alcançar o mais alto nível possível."

Ao ser comparado a Didier Drogba após superar a contagem de gols do ídolo do Chelsea em sua primeira temporada, ele foi respeitoso, mas claro sobre manter seu próprio caminho.

"Drogba é um ídolo no Chelsea. Alguns torcedores brincam: 'Talvez tenhamos encontrado o novo Drogba?' Mas eu tento seguir meu próprio caminho, devagar, sem pensar muito sobre isso."

A dinâmica do vestiário, ele revela, é calorosa -- e cada vez mais moldada por conversas sobre a Copa do Mundo. Cole Palmer, por exemplo, já está fazendo lobby por um quartas de final específico.

"Ele fica louco se eu não disser que a Inglaterra é favorita. Ele realmente quer Brasil vs Inglaterra nas quartas de final. Eu disse a ele: 'Cuidado, hein? Tenha cuidado.'"

O vínculo com Estêvão, o outro brasileiro do Chelsea, vai além do campo. Quando o adolescente sofreu uma lesão, a resposta do elenco contou sua própria história.

"Eu não esperava que alguém da idade dele já pensasse como ele pensa. Quando ele se machucou, eu fiquei ao lado dele no vestiário durante todo o primeiro tempo, conversando com ele. Enzo, Pedro Neto, Cucurella, Caicedo -- todos tentam apoiá-lo. Todos no Chelsea tratam Estêvão como um irmão mais novo."

João Pedro estabelece padrões exigentes para si mesmo e diz que seus companheiros de equipe o mantêm nos mesmos padrões.

"Eu coloco muita pressão em mim mesmo. Não apenas com o Brasil, mas também no meu clube. Reece James, quando eu fico um jogo sem marcar, já diz que o próximo tem que vir."

Sobre o gol de bicicleta que se tornou um dos momentos do Chelsea na temporada, ele foi refrescantemente desprotegido.

"Aconteceu do nada. Eu pensei muito rápido. No futebol não há tempo para pensar. Simplesmente saiu."

Ele também identificou os defensores que mais o testaram.

"Pacho do PSG foi difícil. Tah do Bayern. E Gabriel Magalhães. Mas eu também dei problemas a ele."

A camisa número nove do Brasil carrega sua própria mitologia, e João Pedro entende o que vem com isso.

"Acho que comparar qualquer jogador a Ronaldo é impossível. Se eu puder ser o No.9 do Brasil em uma Copa do Mundo, seria uma honra. Eu daria minha vida e daria o meu máximo para representar da melhor maneira possível."

Ele ainda está esperando seu primeiro gol internacional e admite que uma chance contra a Croácia ainda dói.

"Eu tive uma chance contra a Croácia, mas o goleiro fez uma grande defesa. Mas é apenas uma questão de tempo."