A disputa no Getafe se intensificou após o presidente Ángel Torres rejeitar publicamente a crítica de José Bordalás ao elenco e desafiar a afirmação do treinador de que o clube não cumpriu promessas sobre contratações.
A frustração de Bordalás seguiu a derrota em casa por 5-2 para o Lugano na Liga Conferência, um resultado que deixou o Getafe sem vitórias na competição. Os anfitriões abriram o placar cedo com Iván Azón, mas Albian Ajeti e Yanis Cimignani ajudaram o Lugano a reverter a partida, com Uran Bislimi e Kevin Behrens marcando mais gols. Borja Mayoral fez o segundo gol do Getafe.
Após a partida, Bordalás descreveu a performance como profundamente decepcionante e renovou suas preocupações sobre a profundidade e o equilíbrio do elenco. Ele disse que a equipe não estava equipada para competir em três competições e acusou o clube de não cumprir os compromissos feitos a ele.
Torres respondeu em uma entrevista com Cadena SER, rejeitando a acusação em termos enfáticos.
"Você tem que ter uma cara de concreto para me dizer, depois de 30 anos, que eu te enganei. Eu não enganei ninguém," disse o presidente.
O relacionamento entre os dois homens parecia tenso, com Torres dizendo que não havia falado com Bordalás após a derrota e não pretendia procurá-lo.
"Ele assinou porque queria. De qualquer forma, a porta está aberta para ele. Se todo o Getafe está tão mal, o que podemos fazer? Eu não entendo o que ele está fazendo aqui se está tão infeliz," disse Torres.
O presidente também contestou a avaliação do treinador sobre o elenco. Enquanto Bordalás argumentou que a equipe carecia de recursos para sustentar uma campanha em várias competições, Torres insistiu que o Getafe tinha um dos grupos de jogadores mais fortes da história do clube.
Ele criticou o treinador por questionar publicamente seus substitutos e pediu maior respeito entre o técnico e o vestiário.
"O que ele tem que fazer é respeitar os futebolistas, assim como os futebolistas o respeitam," disse Torres, acrescentando que não queria uma guerra pública de palavras.
Torres descartou ações disciplinares imediatas, argumentando que a equipe precisava seguir em frente e se concentrar nos resultados. Ele também rejeitou a ideia de que o Getafe necessariamente precisasse de reforços em janeiro, apontando para o elenco completo de jogadores registrados do clube.
Bordalás, por sua vez, explicou que introduziu jogadores regulares da equipe principal contra o Lugano porque a performance de seus jogadores menos utilizados ameaçava se tornar ainda mais prejudicial. Ele disse que a derrota reforçou as preocupações que ele havia levantado desde maio sobre as limitações do elenco.
"Eu me sinto enganado; o que foi prometido ano após ano não foi cumprido," disse ele após a partida.
O presidente mais tarde pediu a Bordalás que reconhecesse sua própria responsabilidade, argumentando que fazer quatro substituições no intervalo indicava que o treinador havia cometido erros. Ele também o instou a se desculpar com os jogadores por suas críticas.
O foco imediato agora se desloca para o próximo jogo da liga do Getafe contra o Athletic Club em San Mamés. Torres insiste que a solução é vencer, mas a troca pública expôs uma séria divisão sobre contratações, qualidade do elenco e a direção do clube.
Com o treinador questionando o apoio que recebeu e o presidente dizendo abertamente que ele pode sair se estiver insatisfeito, o Getafe enfrenta um teste importante tanto em campo quanto nos bastidores.
