Football Presse

Exclusivo: Evani revela como o AC Milan de Sacchi aprendeu a parar Maradona

·Entrevista por Xhulio Zeneli
Partilhar
Exclusivo: Evani revela como o AC Milan de Sacchi aprendeu a parar Maradona

SSNapoli/X.com

Alberico Evani enfrentou Diego Maradona durante um dos períodos mais extraordinários do futebol italiano, quando o argentino parecia decidir partidas por conta própria.

O ex-meio-campista do AC Milan viu o Milan de Sacchi desenvolver uma maneira muito diferente de lidar com ele.

Maradona não era simplesmente mais um jogador de classe mundial para se preparar.

Evani, que passou pela academia do AC Milan antes de se tornar parte do grande time montado sob Silvio Berlusconi, lembra de um jogador cuja habilidade natural o tornava quase impossível de conter por métodos convencionais.

"Maradona era um jogador que podia vencer jogos sozinho", disse Evani. Football Presse.

"Ele foi um dos jogadores mais fortes de todos os tempos. Apesar de ser menos profissional do que os jogadores que mencionei, ele tinha tanto talento que nem precisava, entre aspas, treiná-lo.

"Ele fazia o mínimo necessário para se preparar para o jogo, mas então sempre chegava com qualidade, classe e imaginação extraordinárias. Era difícil pará-lo."

Isso apresentava aos defensores um problema que ia além de simplesmente tentar marcar um oponente perigoso.

Maradona podia criar algo a partir de quase nada, o que significava que a resposta usual de designar um jogador para ele poderia rapidamente se tornar uma batalha perdida.

"Inicialmente, tentamos pará-lo colocando um homem em cima dele em todo o campo", disse Evani.

"Você tinha que tentar ficar com ele, porque ele era tão perigoso e podia fazer a diferença a qualquer momento.

"Mas então as coisas mudaram."

A mudança veio com Arrigo Sacchi.

Evani fez parte da equipe do Milan que abraçou a abordagem coletiva de Sacchi, com as ideias do treinador transformando a forma como a equipe defendia e atacava.

E essa transformação também mudou a forma como o Milan lidava com Maradona.

"Quando começamos a jogar com o Mister Sacchi, ninguém estava diretamente preocupado com ele", explicou Evani.

"Ninguém tinha a tarefa específica de seguir Maradona.

"Chegamos até ele através do movimento de muitos jogadores."

Para Evani, esse movimento coletivo era a chave.

"Muitas vezes ele se via cercado por dois ou três jogadores", disse ele.

"Essa era a única maneira de conseguir pará-lo."

É um dos exemplos mais claros do que o Milan de Sacchi estava tentando alcançar.

O Milan não tentou encontrar um defensor capaz de vencer uma batalha individual contra Maradona por 90 minutos. Eles fizeram o argentino lidar com uma equipe que se movia junta.

"Maradona era um jogador que, apesar de fazer menos preparação do que os outros, tinha tanto talento", disse Evani.

"Ele tinha qualidade e classe extraordinárias, e uma imaginação incrível."

Esse talento significava que o Milan tinha que resistir à tentação de fazer do confronto uma disputa entre um jogador e outro.

"Se você colocasse um homem em cima dele em todo o campo, poderia tentar limitá-lo, mas sempre havia o perigo de que ele pudesse escapar de você", disse Evani.

"Com Sacchi, a ideia era diferente. Não nos preocupávamos com um jogador sozinho. Nós nos movíamos juntos e, ao fazer isso, ele poderia se ver com dois ou três jogadores ao seu redor."

As memórias de Evani também oferecem uma janela fascinante para a mentalidade de uma equipe do Milan que estava aprendendo a defender coletivamente em um momento em que o futebol italiano ainda estava fortemente associado à marcação individual.

A solução para Maradona não era necessariamente um defensor individual melhor.

Era uma melhor organização.

"Você não podia simplesmente pensar: 'Vou parar Maradona'", disse Evani.

"Você tinha que ter toda a equipe se movendo, porque ele tinha qualidade demais.

"Essa era a única maneira de realmente lidar com ele."

O respeito permanece óbvio.

Evani jogou ao lado de Marco van Basten, Ruud Gullit e Frank Rijkaard e viveu a ascensão do Milan de uma equipe que operava em torno da metade da tabela para uma capaz de dominar a Itália, a Europa e o mundo.

No entanto, quando ele fala sobre os oponentes que poderiam mudar uma partida sozinhos, Maradona se destaca.

"Ele poderia vencer o jogo sozinho", disse Evani.

"Isso é o que o tornava tão difícil. Você poderia se preparar para ele, poderia tentar pará-lo, mas então ele poderia produzir algo que ninguém esperava."

Para o Milan de Sacchi, a resposta não era dar a um jogador a responsabilidade de parar um dos maiores talentos do futebol.

Era garantir que Maradona nunca tivesse que enfrentar apenas um oponente.

"Muitas vezes ele se viu cercado por dois ou três jogadores", recordou Evani.

"Essa era a única maneira de conseguir pará-lo."