Ele queria mudar a forma como o futebol inglês pensava.
O ex-presidente da Football Association passou anos estudando como outras nações do futebol desenvolviam seus jogadores e treinadores, e ele acreditava que a Inglaterra havia ficado para trás.
A França tinha Clairefontaine. A Espanha tinha seu centro nacional em Madrid. A Itália tinha Coverciano. A Holanda tinha Zeist.
A Inglaterra não tinha nada comparável.
Falando com Football Presse, Sheepshanks explicou que criar um lar para as seleções nacionais era o primeiro passo em um projeto destinado a transformar a cultura do futebol do país.
"Um dos principais objetivos de construir o St George's Park era criar um lar de treinamento para as equipes da Inglaterra," ele disse.
"Fomos os únicos que não tínhamos um.
"Eu estava determinado que iríamos transformar isso de alguma forma em nossa vantagem."
Em vez de simplesmente copiar instalações existentes, Sheepshanks queria que a Inglaterra aprendesse com os melhores.
"Fomos e aprendemos com todos os outros lugares que tinham construído centros.
"Outros clubes, clubes de topo da Premier League, clubes ao redor do mundo.
"Abordamos isso como se, se você estivesse construindo um centro agora, o que você faria de diferente?"
Essa pesquisa moldou o design final.
"Consultamos como loucos com todas as partes interessadas para garantir que não construíssemos o que achávamos que deveríamos construir.
"Construímos o que eles queriam."
O resultado foi um centro nacional de futebol projetado não apenas para as equipes seniores da Inglaterra, mas para toda a pirâmide do futebol.
Para Sheepshanks, a chave era criar um ambiente onde gerações pudessem se misturar.
"Sub-18 e sub-19 poderiam jogar ou praticar ao lado de internacionais seniores.
"Os treinadores poderiam escolher o jovem jogador mais promissor e dizer: 'venha e jogue conosco esta manhã.'"
Também foi projetado como um lugar onde os treinadores poderiam compartilhar ideias.
"Eu costumava chamá-lo de um lugar seguro para encontrar o inimigo.
"Podemos querer nos bater ferozmente em campo, mas na verdade obtemos muito mais ao compartilhar experiências."
Os resultados no palco internacional foram significativos.
Desde que o St George's Park foi inaugurado em 2012, as equipes masculinas e femininas da Inglaterra desfrutaram de um sucesso sem precedentes, com finais de torneios seniores e vitórias em várias faixas etárias.
Sheepshanks acredita que a primeira parte da missão foi alcançada.
"Essa primeira razão das equipes da Inglaterra foi em grande parte cumprida porque agora estamos regularmente chegando a finais e semifinais.
"A equipe feminina ganhou o Euro duas vezes. Os sub-21 ganharam duas vezes sob Lee Carsley."
Mas a segunda parte permanece inacabada.
Para Sheepshanks, o St George's Park sempre foi mais do que campos e edifícios.
Era sobre produzir melhores treinadores.
"Sempre soubemos que isso levaria muito mais tempo.
"Seria uma questão geracional."
O desafio era se afastar dos métodos tradicionais.
"Movendo-se do comando e controle antiquados dos treinadores para o método moderno de engajamento e tratando cada jogador como um indivíduo em vez de tratá-los todos da mesma forma."
Sua ambição continua enorme.
"Eu tinha uma visão, e está no meu livro, de que eventualmente o St George's Park seria uma espécie de Oxford e Cambridge, ou Harvard, da educação de treinadores."
A ideia era simples: tornar-se qualificado no St George's Park deveria ter o mesmo prestígio que as principais instituições esportivas e acadêmicas do mundo.
"Se você quisesse chegar ao topo, você se certificava de que fez suas qualificações no St George's Park."
Sheepshanks admite que essa visão ainda não se concretizou totalmente.
"Isso é um pouco utópico, mas você precisa começar com um grande sonho."
A escassez de treinadores ingleses trabalhando no mais alto nível continua sendo uma preocupação.
"Se você está selecionando o melhor treinador inglês para ser o treinador da Inglaterra, você está pescando em uma piscina muito pequena."
No entanto, ele acredita que as fundações estão mais fortes do que nunca.
A influência do St George's Park pode ser vista não apenas nos resultados da Inglaterra, mas nas filosofias de treinadores como Gareth Southgate.
Southgate, em particular, representou o caminho que Sheepshanks esperava que o centro criasse.
"Foi provavelmente metade por design e metade por sorte," ele disse.
"Gareth é um aprendiz ao longo da vida.
"Ele é curioso e quer encorajar outros que trabalham com ele a serem iguais."
Para Sheepshanks, o maior sucesso do St George's Park pode não ser um único troféu.
É a mudança de mentalidade.
"Quando você vai lá, você não pensa: 'Eu tenho que passar mais três ou quatro dias no St George's Park.'
"Você pensa: 'Vou ser estimulado, vou aprender algo e vou aproveitar isso.'"
Esse era o sonho quando o projeto começou.
Um lugar onde o futebol inglês poderia melhorar a cada dia.
Continue acompanhando nossa série de 5 partes com David Sheepshanks esta semana como parte da promoção de seu novo livro, 'Homem em uma Missão'. Disponível aqui.

